Algumas considerações sobre os movimentos dos corpos na antiguidade e na Idade Média: a teoria do ímpeto e a inércia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18764/2447-5777v8n1.2022.3

Palavras-chave:

Teoria do impetus, Inércia, Mecânica, Galileu.

Resumo

O artigo apresenta algumas considerações presentes nas discussões acerca da natureza do movimento entre os séculos XIV e XVII. Para isso, adotarei as perspectivas presentes nas argumentações de pensadores como Aristóteles, Buridan, Oresme e Galileu. A teoria do impetus, de Buridan e Oresme, pavimentou o caminho para as argumentações galileanas, na medida em que possibilitou explicar a persistência do movimento após a perda de contato entre aquilo que dava origem a ele. Ou seja, a teoria do impetus permitiu que se explicasse a continuidade do movimento em função de uma propriedade intrínseca do objeto (quantidade de matéria e impetuosidade do agente movente no momento do lançamento) em contraposição à necessidade de um motor em contato permanente com o movido (antiperístase aristotélica). Essa perspectiva permitiu que se unificassem numa só teoria os movimentos terrestres e os movimentos celestes. Galileu parece se valer de alguns aspectos da construção lógica dessas argumentações. O trabalho não tem a pretensão de apresentar e discutir historicamente como se deu cada um desses aspectos, detalhes locais, nem seus contextos sociais. Ao contrário, trata-se de uma quase descrição de suas ideias centrais.

Some considerations about motion of bodies at Antiquity and at Middle Age: the impetus’ theory and the inertia

The article shows some considerations present in the discussions about the nature of movement between the 14th and 17th centuries. For this, the perspectives present in the arguments of thinkers such as Aristotle, Buridan, Oresme and Galileo will be adopted. The impetus theory of Buridan and Oresme paved the way for Galilean arguments, insofar as they made it possible to explain the persistence of movement after the loss of contact between what gave rise to it. In other words, the theory of impetus made it possible to explain the continuity of movement as a function of an intrinsic property of the object (amount of matter and impetuosity of the moving agent at the moment of launch) as opposed to the need for a motor in permanent contact with the moved (Aristotelian antiperstasis). This perspective allowed the unification of terrestrial and celestial movements in a single theory. Galileo seems to make use of some aspects of the logical construction of these arguments. The work does not intend to present and discuss historically how each of these aspects took place, local details, or their social contexts. On the contrary, it is a quasi-description of its central ideas.

Keywords: Impetus Theory; Inertia; Mechanics; Galileo.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Alexandre Campos, Universidade Federal de Campina Grande

Professor na Unidade Acadêmica de Física na Universidade Federal de Campina Grande. Licenciado em Física, mestre em História da Ciência e doutor em Ensino de Ciência.

Referências

ALFONSO-GOLDFARB, A. M. O que é História da Ciência. São Paulo: Brasiliense, 2004.

ARISTÓTELES. On the heavens. Tradução para o inglês W. K. C. Guthrie. Cambridge: Harvard University Press, 1980.

ARISTÓTELES. Física. Tradução para o espanhol G. R. de Echandía. Madrid: Editorial Gredos, 1995.

ARISTÓTELES. Acerca del cielo. Tradução para o espanhol Miguel Candel. Madrid: Editorial Gredos S.A., 1996.

BAPTISTA, J. P.; FERRACIOLI, L. A evolução do pensamento sobre o conceito de movimento. Revista Brasileira de Ensino de Física, São Paulo, v. 21, p. 187-194, 1999.

CAMPOS, A. A Teoria do Impetus de Nicole Oresme e a possibilidade do movimento diurno no Le livre du ciel et du monde. 2008. Dissertação (Mestrado em História da Ciência) – Programa de Estudos Pós-graduados em História da Ciência, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2008.

CHAUI, M. Introdução à História da Filosofia. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

CHAUI, M. O que é ideologia. 2. ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 2006.

ÉVORA, F. R. R. A evolução do conceito de inércia: de Philoponos a Galileo. 1996. Tese (Doutorado em Filosofia) – Departamento de Filosofia, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1996.

GALILEI, G. Diálogo sobre os dois máximos sistemas do mundo ptolomaico e copernicano. Tradução para o português P. R. Mariconda. 2. ed. São Paulo: Discurso Editorial/Imprensa Oficial, 2004.

KOYRÉ, A. Estudos Galilaicos. Tradução para o português N. F. da Fonseca. Lisboa: Publicações Dom Quixote Lda., 1986.

MARTINS, R. A. Um percursor medieval do princípio de inércia: a teoria do ímpeto de Jean Buridan. In: SILVA, A. P. B.; SILVEIRA, A. F. (eds.). História da ciência e ensino: fontes primárias. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2018. p. 31-58.

MORA, J. F. Dicionário de filosofia. São Paulo: Edições Loyola, 2001. 4 v.

NEVES, M. C. D. Uma investigação sobre a natureza do movimento ou sobre uma história para a noção do conceito de força. Revista Brasileira de Ensino de Física, São Paulo, v. 22, p. 01-21, 2000.

ORESME, N. Le livre du ciel et du monde. Tradução para o inglês A. D. Menut. New York: University of Wisconsin Press, 1968.

REALE, G. História da filosofia antiga. 9. ed. Tradução para o português Henrique Cláudio de Lima Vaz. São Paulo: Edições Loyola, 1994. 5 v.

Downloads

Publicado

2022-04-09

Como Citar

CAMPOS, A. Algumas considerações sobre os movimentos dos corpos na antiguidade e na Idade Média: a teoria do ímpeto e a inércia. Ensino & Multidisciplinaridade, São Luís, v. 8, n. 1, p. e0322, 1–11, 2022. DOI: 10.18764/2447-5777v8n1.2022.3. Disponível em: https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/ens-multidisciplinaridade/article/view/18018. Acesso em: 28 set. 2022.

Edição

Seção

Artigos