Grafismos indígenas como Tecnologia de Informação e Comunicação: possibilidades para o ensino de química
DOI:
https://doi.org/10.18764/2358-4319v19e26600Palavras-chave:
Teoria Crítica da Tecnologia, interculturalidade crítica, formação de professoresResumo
Este artigo consiste em um relato de intervenção didática que apresenta reflexões críticas em torno das concepções de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) debatendo-se o etnocentrismo, cientificismo e determinismo tecnológico. Para tal, apresentamos e discutimos uma experiência pedagógica com grafismos indígenas, implementada numa disciplina de TIC aplicadas à Educação Química, em uma universidade pública do interior paulista. A partir das reflexões, consideramos que a atividade pôde trazer uma perspectiva intercultural, crítica e dialógica sobre as tecnologias de informação. É imprescindível reconhecer a importância dos conhecimentos indígenas para as ciências. Concluímos e defendemos uma antítese ao modo de compreender e se apropriar da questão das TIC no contexto da educação (hegemonicamente pautado na lógica de “progresso” eurocêntrica). É preciso superar a imposição do dominador sobre seus modos de ver e enxergar a realidade como únicos, mais corretos e mais avançados. Ao contrário, é preciso desenvolver, investigar, compartilhar e valorizar as formas contra-hegemônicas de representação e ação sobre a realidade, produzida pelos grupos oprimidos. Assim, o reconhecimento de outras TIC e a promoção de diálogos interculturais exercitada nesse artigo se constituem como uma possibilidade de atuação no contexto da formação inicial de professores.
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