Ciência e Colonialidade: entrelaçamentos (re)produzidos por livros didáticos do PNLD 2021
DOI:
https://doi.org/10.18764/2358-4319v18e26614Palavras-chave:
ciências da natureza, decolonialidade, representaçãoResumo
Buscando identificar os entrelaçamentos entre ciência e colonialidade (re)produzidos pelos textos e imagens veiculados nos Livros Didáticos de Ciências da Natureza (LDCN) aprovados em 2021 pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), dedicamo-nos a analisar as duas coleções de LDCN mais escolhidas pelas escolas estaduais de Aracaju/SE. Foi realizada uma análise de cunho descritivo-explicativo, orientada pela perspectiva decolonial, com o intuito de identificar se e como tais significados estabelecem comunicações com as concepções coloniais/modernas sobre a ciência. Para tanto, baseamo-nos nas contribuições de autores/as alinhados/as à epistemologia decolonial, como Lander, Kilomba, Gonzalez, Lugones, Maldonado-Torres, Grosfoguel e Castro-Gómez. Os resultados apontam que as representações textuais e visuais veiculadas nas duas coleções reforçam concepções hegemônicas, coloniais e modernas sobre a ciência, gerando condições que privilegiam os cientistas homens brancos do ocidente e suas contribuições, provocam a sub-representação dos demais corpos políticos e reafirmam o método cartesiano como principal forma de fazer ciência. Apesar disso, reconhecemos os esforços empreendidos pelos LDCN para promover novas compreensões sobre os conhecimentos científico e tradicional, o perfil do/a cientista e suas atividades. Ademais, enfatizamos a necessidade de refletir sobre formas decoloniais de representar a ciência e o/a cientista, a fim de possibilitar o reconhecimento e a valorização da diversidade étnico-racial, de gênero e de formas de conhecimento.
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