Diálogos interculturais na educação em Timor-Leste: insurgências a partir de saberes e pedagogias ancestrais
DOI:
https://doi.org/10.18764/2358-4319v18e26596Palavras-chave:
interculturalidade, educação, Timor-LesteResumo
A educação em Timor-Leste após sua independência, oficializada em 2002, tem como um de seus principais desafios a adoção da língua portuguesa nos sistemas de ensino; um processo perene e repleto de imposições coloniais. Neste contexto, o objetivo deste artigo é mapear a produção acadêmica brasileira sobre a educação timorense, com vistas a compreender como as pesquisas desenvolvidas contemplam a interculturalidade crítica, dialogam entre si e como suas insurgências, alinhadas à dialética freireana de denúncia-anúncio, apontam para saberes e pedagogias ancestrais. A metodologia utilizada é um mapeamento bibliográfico, baseado na análise de artigos publicados a partir de 2005, ano que marca a oficialização da cooperação brasileira no país. Foram poucas as ocorrências de artigos e trabalhos acadêmicos que relacionam as temáticas educação, interculturalidade e Timor-Leste – escassez que evidencia a emergência de um campo de investigação. A partir de uma crítica aos modelos pedagógicos tradicionais, que perpetuam desigualdades, os resultados propõem a construção de práticas pedagógicas que valorizem a riqueza cultural local, além de indicarem que a educação em Timor-Leste deve transcender a mera transmissão de conteúdos, buscando promover diálogos entre diferentes saberes, em respeito à sua diversidade cultural. O mapeamento ainda sugere que a interculturalidade deve servir como uma ferramenta de resistência e transformação na educação, permitindo que docentes e discentes reconheçam e valorizem as múltiplas identidades que compõem a sociedade timorense.
Downloads
Metrics
Referências
ARAÚJO, Irta S. B. de. O sagrado na cultura das parteiras do Timor-Leste. 2013. 164 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2013.
BARBOSA, Alessandro T. (De)colonialidade no currículo de biologia do ensino secundário geral em Timor-Leste. 2018. 370 f. Tese (Doutorado em Educação Científica e Tecnológica) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2018.
BORMANN, Aliete; SILVEIRA, Marília. Primeira missão de Especialistas Brasileiros em Educação em Timor-Leste. In: SILVA, Kelly C. da.; SIMIÃO, Daniel S. (orgs.). Timor-Leste por trás do Palco: cooperação internacional e a dialética da formação do Estado. Belo Horizonte: UFMG, 2007. p. 234-254.
CANCLINI, Nestor G. Diferentes, desiguais e desconectados. 3ª edição. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2009.
CANDAU, Vera Maria F. Sociedade, cotidiano escolar e cultura(s): uma aproximação. Educação e Sociedade, Campinas, v. 23, n. 79, p. 125-161, ago. 2002. Disponível em: https://www.scielo.br/j/es/a/8Cj5XvRTYpN3WNWbMBCbNFK/?format=pdf&lang=pt . Acesso em: 17 nov. 2025.
CANDAU, Vera Maria F. Diferenças Culturais, Interculturalidade e Educação em Direitos Humanos. Educação e Sociedade, Campinas, v. 33, n. 118, p. 235-250, jan.- mar. 2012. Disponível em: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=87322726015 . Acesso em: 17 nov. 2025.
CASSIANI, Suzani; PEREIRA, Patrícia B. Dialogicidade freireana: um contraponto na formação docente intercultural. Ensino, Saúde e Ambiente, v. 14 n. esp.: Dossiê Paulo Freire para além dos 100 anos: construir utopias, transformar a realidade, 2021. p. 301-331. Disponível em: https://repi.ufsc.br/Dialogicidade-freireana%3A-um-contraponto-na-forma%C3%A7%C3%A3o-docente-intercultural. Acesso em: 02 abr. 2025.
FLEURI, Reinaldo Matias. Intercultura e educação. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 23, p. 16-35, 2003. Disponível em: http://educa.fcc.org.br/pdf/rbedu/n23/n23a03.pdf. Acesso em: 17 nov. 2025.
FLEURI, Reinaldo Matias. Educação Intercultural e formação de educadores. João Pessoa: CCTA, 2022.
FLEURI, Reinaldo Matias. Educação intercultural: aprender com os povos originários do Sul a decolonizar a educação. In: FLEURI, Reinaldo M.; OKAWATI, Juliana A. (orgs.). Decolonizar a educação: entretecer caminhos de Bem Viver. Florianópolis: Pedro e João, 2023. cap 1, p. 33-52.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 42ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2013.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de metodologia científica. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2003.
MALDONADO TORRES, Nelson. Analítica da colonialidade e da decolonialidade: algumas dimensões básicas. In: BERNARDINO-COSTA, Joaze; MALDONADO-TORRES, Nelson; GROSFOGUEL, R. (orgs.). Decolonialidade e pensamento afrodiaspórico. 2ª ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2019. p. 27-53.
MIGNOLO, Walter D. Histórias locais/Projetos globais. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2003.
ORLANDI, Eni P. Análise de Discurso: Princípios e Procedimentos. 5ª ed. Campinas: Pontes, 2003.
PAULINO, Vicente. Dimensão funcional e factual da Língua Portuguesa no mundo e em Timor-Leste. In: GUEDES, Maria Denise et al. (orgs.). Professores sem fronteiras: pesquisas e práticas pedagógicas em Timor-Leste. Florianópolis: NUP, UFSC, 2015. p. 29-51. DOI:10.13140/RG.2.1.1474.7923
PAULINO, Vicente. Globalização, Educação Intercultural e suas Proposições para Pedagogias Decoloniais. In: CASSIANI, Suzani et al. (orgs.). Resistir, (re)existir e (re)inventar II: pedagogias decoloniais em diálogo com o Sul Global. São Paulo: Livraria da Física, 2022. p.37-73. DOI:10.29327/565971.1-1
PECHÊUX, Michel. O Discurso: estrutura ou acontecimento. Campinas: Pontes, 2006.
PEREIRA, Patrícia B. O Programa de Qualificação de Docentes e Ensino de Língua Portuguesa no Timor-Leste (PQLP): um olhar para o ensino de ciências naturais. 2014. 305 f. Tese (Doutorado em Educação Científica e Tecnológica) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2014.
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder e classificação social. In: SOUSA SANTOS, Boaventura de; MENESES, Maria Paula. Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2010. p. 73-117. Disponível em: https://ayalaboratorio.wordpress.com/wp-content/uploads/2017/09/quijano-anibal-colonialidade-do-poder-e-classificac3a7c3a3o-social.pdf. Acesso em: 16 nov. 2025.
ROMANOWSKI, Joana P.; ENS, Romilda T. As pesquisas denominadas do tipo “estado da arte” em educação. Diálogo Educacional, Curitiba, v. 6, n.19, p. 37-50, 2006. Disponível em: https://periodicos.pucpr.br/dialogoeducacional/article/view/24176/22872 . Acesso em: 16 nov. 2025.
SANTOS, Rodrigo Fabiano S. dos. Gestão, educação e desenvolvimento humano: política e estratégia de uma outra práxis epistemológica, a partir das cooperações técnicas internacionais. 2014. 184 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2014.
WALSH, Catherine. Introdcucion: (Re) pensamiento crítico y (de) colonialidad. In: WALSH, Catherine. (org.). Pensamiento crítico y matriz (de)colonial: Reflexiones latinoamericanas. Quito: Abya-yala, 2005. p. 13-35. Disponível em: https://www.ram-wan.net/restrepo/decolonial/19-walsh-repensamiento%20critico.pdf. Acesso em: 16 nov. 2025.
WALSH, Catherine. Interculturalidade Crítica e Pedagogia Decolonial: in-surgir, re-existir e re-viver. In: CANDAU, Vera M. (Org.) Educação Intercultural na América Latina: entre concepções, tensões e propostas. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2009. p. 12-42.
WALSH, Catherine. Introducción. Lo pedagógico y lo decolonial: Entretejiendo caminhos. In: WALSH, Catherine. Pedagogías decoloniales: prácticas insurgentes de resistir, (re)existir y (re)vivir. Quito: Abya-Yala, 2013. Tomo I, 2013. p. 23-68. Disponivel em: https://agoradeeducacion.com/doc/wp-content/uploads/2017/09/Walsh-2013-Pedagog%C3%ADas-Decoloniales.-Pr%C3%A1cticas.pdf. Acesso em: 16 nov. 2025.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Revista Educação e Emancipação

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Declaração de Responsabilidade e Transferência de Direitos Autorais
Como condição para a submissão, os autores devem declarar a autoria do trabalho e concordar com o Termo de Transferência de Direitos Autorais, marcando a caixa de seleção após a leitura das cláusulas):
- Certifico que participei da elaboração deste trabalho;
- Não omitir qualquer ligação ou acordo de financiamento entre os autores e instituições ou empresas que possam ter interesses na publicação desse trabalho;
- Certifico que o texto é original isento de compilação, em parte ou na íntegra, de minha autoria ou de outro (os) autor (es);
- Certifico que o texto não foi enviado a outra revista (impressa ou eletrônica) e não o será enquanto estiver sendo analisado e com a possibilidade de sua publicação pela Revista Educação e Emancipação;
- Transfiro os direitos autorais do trabalho submetido à Revista Educação e Emancipação, comprometendo-me a não reproduzir o texto, total ou parcialmente, em qualquer meio de divulgação, impresso ou eletrônico, sem que a prévia autorização seja solicitada por escrito à Revista Educação e Emancipação e esta a conceda.

Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.










