Atravessando fronteiras: diversidade, interculturalidade e discursividade nas práticas alfabetizadoras de crianças oriundas de fluxos migratórios
DOI:
https://doi.org/10.18764/2358-4319v18e26576%20Palavras-chave:
fluxos migratórios, educação intercultural, alfabetização discursivaResumo
Este artigo apresenta uma reflexão, ancorada em resultados parciais de uma pesquisa-ação desenvolvida em uma escola pública da Zona Oeste do Rio de Janeiro, sobre as possibilidades de alfabetização de crianças em situação de fluxos migratórios. A partir dos aportes da interculturalidade crítica e da perspectiva discursiva de alfabetização, discute-se a importância de traçar parâmetros para uma educação voltada à diversidade, especialmente em contextos escolares marcados pela presença de múltiplas nacionalidades. Tendo o Português como Língua de Acolhimento (PLAc) como eixo estruturante, defende-se o investimento em práticas de alfabetização pautadas na produção e negociação de sentidos, nas quais a literatura ocupa um papel central como artefato cultural. Tais práticas buscam consolidar o espaço escolar como um ambiente plurilíngue e inclusivo, promotor de direitos para crianças migrantes — não apenas o direito à matrícula, mas o direito a uma experiência escolar que reconheça o pluripertencimento, conforme proposto por Paraguassu (2021), e rejeite processos de abrasileiramento forçado.
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