Saberes e Práticas Afrocentradas na Universidade: “modos de aprontar” do MAfroEduc Olùkọ́

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18764/2358-4319v19e26857%20%20

Palavras-chave:

MAfroEduc Olùkọ́, Modos de Aprontar, Educação Intercultural

Resumo

O presente estudo analisa as contribuições do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Educação Afrocentrada (MAfroEduc Olùkọ́) como modos de aprontar (Oliveira, 2024), por meios de fabulações (Deleuze; Guatarri, 1995) na/da formação docente, criadas com saberes e práticas presentes nas relações raciais e de gênero. Ancorado em fundamentos afrocentrados (Asante, 2009; Mazama, 2009) e nas proposições ontoepistêmicas interemancipatórias (Machado, 2024), adota abordagem qualitativa, com pesquisa bibliográfica e documental, a partir da análise das atividades que integram os Círculos Epistêmicos Afrocentrados (CEAfro) e das produções acadêmicas realizadas por integrantes do MAfroEduc Olùkọ́, especialmente monografias, dissertações e teses. Os resultados indicam que os CEAfros são estratégias metodológicas e políticas que tensionam os paradigmas hegemônicos de produção de conhecimento nas universidades brasileiras. A partir da experiência do grupo e suas produções, a pesquisa e a formação docente são compreendidas como processos coletivos, afetivos e curadores de aquilombamento acadêmico, que desafiam a lógica colonial ainda vigente no ensino superior e propõem novas formas de estar, saber e existir nos espaços universitários. Os modos de aprontar (Oliveira, 2024) do grupo evidenciam uma prática científica situada, sustentada na ancestralidade, na escuta sensível e na valorização das experiências afrodescendentes e negras como fundamento epistemológico. Assim, o MAfroEduc Olùkọ́ tem se constituído como coletivo acadêmico que, ao propor insurgência cognitiva nas fabulações curricularizantes, contribui na descolonização do pensamento, da formação docente e das políticas curriculares.

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Biografia do Autor

Raimunda Nonata da Silva Machado, Universidade Federal do Maranhão

Doutora em Educação pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Docente DEII/PPGE - Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Educação Afrocentrada (MAfroEduc Olùkọ́/CCSO/UFMA) e Pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Educação, Mulheres e Relações de Gênero (GEMGe).

Fernanda Lopes Rodrigues, Universidade Federal do Maranhão

Mestra em Educação pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Docente - Colégio Universitário - Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Pesquisadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB/CCH/UFMA) e Coordenadora Adjunta do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Educação Afrocentrada (MAfroEduc Olùkọ́/CCSO/UFMA).

Soraia Lima Ribeiro de Sousa, Universidade Federal do Maranhão

Mestra em Educação pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Técnica em Assuntos Educacionais - Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Educação Afrocentrada (MAfroEduc Olùkọ́/CCSO/UFMA) e do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Educação, Mulheres e Relações de Gênero (GEMGe).

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Publicado

2026-03-17

Como Citar

MACHADO, Raimunda Nonata da Silva; RODRIGUES, Fernanda Lopes; SOUSA, Soraia Lima Ribeiro de.
Saberes e Práticas Afrocentradas na Universidade: “modos de aprontar” do MAfroEduc Olùkọ́
. Revista Educação e Emancipação, v. 19, p. e–26857, 17 Mar 2026 Disponível em: https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/reducacaoemancipacao/article/view/26857. Acesso em: 22 mar 2026.

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