A fricção como potência: encruzilhadas cartográficas e epistemologias mestiças
DOI:
https://doi.org/10.18764/2358-4319v19e26842Palavras-chave:
encruzilhadas, decolonialidade, epistemologias mestiçasResumo
Este ensaio propõe a promoção reflexiva acerca da constituição do ser, das identidades e da pedagogia a partir da metáfora da encruzilhada, articulando saberes da filosofia da imanência e da diferença, das epistemologias decoloniais e dos saberes afro-diaspóricos. Coloca-se em questionamento a linearidade identitária e ontológica do ser, destacando-o como processo contínuo de transfiguração. Invoca-se a figura de Exu não como entidade religiosa, mas como operador epistêmico e símbolo do inacabado, promulgando a mestiçagem de saberes como força política e ética-estética. Explora-se o corpo-rito, a rasura e a desobediência epistêmica como contraposições à rigidez cartesiana e à racionalidade colonial, propondo uma pedagogia que valorize o trânsito, a ginga e a abertura ao sensível. Para isso, intenta-se, a partir de Deleuze, Guattari, Foucault, Mignolo, Quijano e Rufino, evidenciar a possibilidade da mestiçagem epistêmica e ontológica. A encruzilhada é vista como instância imediatamente fundamental à desterritorialização e espaço fecundo de produção de sentido, resistência e reinvenção. Trata-se, portanto, de uma tentativa de provocação epistemológica e pedagógica que reivindica a pluralidade, a fricção e o inacabado como fundamentos de uma práxis insurgente.
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