Da Cracóvia de Paris à Cracóvia Global na Era do digital: perspectiva histórica
DOI:
https://doi.org/10.18764/2178-2229v33n1e28527Palavras-chave:
NTIC(s), livro escolar, (i)materialidade da fonte, História da EducaçãoResumo
Neste artigo, reflete-se sobre as mudanças em curso das novas tecnologias da informação e da comunicação a partir dos lugares de memória digital e de como ressoam na investigação e na escrita em História da Educação. Questiona-se em que medida a informação digital e digitalizada pode ser acionada e filtrada, tendo em conta a (i)materialidade das fontes e até que ponto os procederes neste terreno do digital reverberam na produção de sentido na operação historiográfica. Utilizam-se os pressupostos teórico-metodológicos da História cultural e as pesquisas bibliográfica e documental: na primeira, mobilizam-se a noção de representação, materialidade e mal de arquivo como categorias teóricas em discussão; na segunda, cruzam-se dados do livro escolar considerado como objeto e fonte, com os dispositivos legais e a imprensa local. Conclui-se que diferentes representações, apropriações e práticas são indicativos de interações e interconexões no cenário digital; mas, o desafio imposto no âmbito escolar, no meio acadêmico e na pesquisa histórica, tanto para alunos e leitores, como para professores e pesquisadores nesta Cracóvia Global, quando se fala do livro escolar, digitalizado e/ou o do livro interativo digital, é aliar a competência técnica à competência política e ética, uma vez que a inseparabilidade do político e do ético radica no vencer os antagônicos e, a especificidade do pedagógico estaria em convencer os não-antagônicos, haja vista que o mesmo desenvolvimento que nos tem ajudado materialmente, tem afetado profundamente nossos valores humanos apontando para uma crise sem precedentes na história da humanidade, na educação e na história da educação.
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