A CRIAÇÃO DE UM POVO
mito, história e o desafio da diversidade - A construção de uma história nacional à sombra do silenciamento cultural
DOI:
https://doi.org/10.18764/2675-8369v3n2.2025.05Palavras-chave:
Estado, Nação, Mito FundadorResumo
Este artigo explora o conceito de "mito fundador" e sua relação com a construção da identidade nacional, destacando como os mitos, enquanto narrativas simbólicas e culturais, moldam e legitimam sistemas de poder e controle. Ao discutir o mito como uma construção que ultrapassa os limites da simples representação histórica, o texto aborda como ele serve para consolidar a visão de uma sociedade homogênea e monolítica, apagando as múltiplas realidades e experiências dos povos marginalizados, especialmente os afro-brasileiros e indígenas. A partir da análise crítica do pensamento de Marilena Chauí e outros teóricos, o artigo examina o perigo da "história única", proposta por Chimamanda Ngozi Adichie, que silencia outras narrativas em favor de uma versão única e dominante da história. O mito fundador, ao mesmo tempo que origina e mantém uma identidade nacional, reflete a imposição de um poder que apaga as diversas formas de existir e viver, estabelecendo uma história oficial que perpetua a exclusão e a opressão.
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