A escrevivência como resistência
o conto “A gente combinamos de não morrer” no combate ao racismo na escola
Palavras-chave:
Literatura afro-brasileira, Escrevivência, Racismo estrutural, Educação antirracistaResumo
Este artigo tem como objetivo analisar o conto A gente combinamos de não morrer, de Conceição Evaristo, destacando sua relevância para o trabalho pedagógico na educação básica como instrumento de enfrentamento ao racismo e de valorização da identidade negra. A partir da perspectiva da escrevivência — conceito central na obra da autora —, investigamos como a narrativa inscreve as vozes de sujeitos historicamente silenciados e denuncia a violência racial e social que marca o cotidiano brasileiro. O estudo fundamenta-se em referenciais teóricos sobre racismo estrutural (Almeida, 2019), literatura como instrumento humanizador (Candido, 2004), estereótipos de gênero e raça (Castro, 1995), racismo linguístico (Nascimento, 2019), educação e relações étnico-raciais (Lei 10.639/03; Gomes, 2003; Cavalleiro, 2000) e literatura como resistência (Bosi, 2002), entre outros. Os resultados apontam que a literatura de Evaristo ultrapassa o campo da ficção: ela constitui ato de resistência, espaço de denúncia e de afirmação das memórias negras. Defendemos, assim, que a literatura negra, quando trabalhada na escola, contribui para uma educação antirracista e emancipadora, capaz de reconfigurar as relações étnico-raciais e promover a valorização das identidades historicamente marginalizadas.
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Referências
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