Somos as netas de todas as negras que nunca puderam matar.
Somos quilombistas.
Palavras-chave:
Mulheres Negras, Quilombistas, Políticas de Vida, Feminismos NegrosResumo
Este artigo tem como objetivo analisar questões sobre o lugar da mulher negra na América Latina: primeiro observo os discursos que giravam em torno da formação étnico-racial, da colonização à modernidade. Sobretudo, as ideias de projeto de Estado-nação, branqueamento e mestiçagem que teve como foco políticas eugenistas e higienistas que tiveram como principal foco os corpos de mulheres negras. Em seguida, analiso fatores institucionais que promovem o genocídio negro na região, sobretudo no Brasil, que é o país que mais mata pessoas negras de acordo com a Anistia Internacional (2021). E, por fim, apresento a luta de mulheres negras na região em favor da sobrevivência e do direito à vida, como uma resistência ancestral que nasce de organização quilombola como demonstra Beatriz Nascimento (1981), e onde o quilombismo (Nascimento, 2020) se caracteriza como ferramenta-metodológica. Este artigo tem o objetivo lançar o termo quilombista como um termo-conceito que proponho para denominar corpos negros que lutam, neste caso, as mulheres negras, que não contemplo como ativistas, e sim como quilombistas, um termo que carrega em si a raiz ancestral de nossas existências e resistências continuadas. Concluo visibilizando a luta das feministas negras com o objetivo de apresentar a aplicação dessas estratégias negras, na formação de alianças diaspóricas, nacionais e transnacionais, como formas de pressionar os Estados latino-americanos na construção de democracias reais, mais emancipatórias e antirracistas na região.
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