O papel da abstração na solução tomista ao "problema dos universais"
uma análise à luz da interpretação de Álvaro Calderón
Palavras-chave:
Tomás de Aquino, Álvaro Calderón, Universais, AbstraçãoResumo
Nos debates em torno do “problema dos universais”, este pode ser considerado de dois modos: metafísico e lógico. Frente a disputa de séculos, a solução aristotélica é a mais comumente defendida na Escolástica, sendo expressa por Tomás de Aquino, notadamente na obra O Ente e a Essência, para quem o universal está in re como forma ou substância das coisas e post rem como conceito no intelecto. Contudo, ambos os universais possuem fundamento ante rem, isto é, na mente de Deus como ideia ou modelo das coisas criadas, e perfazem apenas um, porque identificam-se com a essência ou natureza da coisa, que existe ab aeterno no Intelecto divino e que o intelecto humano abstrai da coisa. As operações lógicas feitas pelo intelecto humano para o seu ato mesmo, ato de conhecer o essencial inteligível, vai sempre buscar seu fim, razão pela qual se exige da abstração uma metafísica da participação, caso contrário não conheceríamos a natureza da coisa que é una e tão pouco seria possível passar de uma reflexão lógica a outra. Por isso, contra o que dizem muitos “tomistas”, para compreender qual o papel da abstração na doutrina do conhecimento dos universais no Aquinate, seguiremos aqui a explicação de Álvaro Calderón em seu livro El Orden Sobrenatural: una inmersión en el tomismo profundo (2020), porque ao afirmar que na abstração já se dá o retorno ao fantasma, quer dizer, a verdade enquanto a adequação entre o intelecto e a coisa, acreditamos que nele há um retorno ao tomismo vital e real.
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