Corpo, sexualidade e gênero no ensino de ciências: conexões (im)possíveis?
DOI:
https://doi.org/10.18764/2178-2229v33n2e26502Palavras-chave:
ciências, gênero, sexualidade, educaçãoResumo
Historicamente, pesquisadores das Ciências Naturais tiveram suas abordagens sobre sexualidade e gênero questionadas em relação à validade e aos possíveis danos aos estudantes. Esse cenário evidenciou a limitação de um ensino centrado apenas nos aspectos biológicos, químicos ou físicos do corpo, e apontou a necessidade de abordagens mais amplas. Este trabalho tem como objetivo apresentar, na percepção de professores de Ciências e Biologia em formação, os desafios para discutir sexualidade e gênero com estudantes da educação básica. Para isso, investigamos as percepções de 151 estudantes de licenciatura e bacharelado em Ciências Biológicas de uma instituição federal, com base na influência dos estudos culturais na formação docente. Além da análise das respostas objetivas, 32 estudantes participaram de uma questão descritiva, o que possibilitou uma análise qualitativa pautada na perspectiva foucaultiana do discurso. O estudo foi desenvolvido no contexto do grupo de pesquisa Masculinidade, Cultura, Educação e Subjetividade (GPEMCS) e das disciplinas curriculares dos cursos analisados. Os resultados indicam que, embora o professor de Biologia não deva ser o único responsável por discutir sexualidade e gênero, ele pode e deve viabilizar esse diálogo no ensino do corpo humano, criando aberturas para interpretações mais amplas. Assim, propõe-se uma abordagem que vá além do corpo físico, reconhecendo também dimensões culturais, emocionais e sociais, essenciais à formação integral dos estudantes.
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