A reinvenção do sagrado na Amazônia Tocantina: fé e ancestralidade na festa da Marierrê

Autori

DOI:

https://doi.org/10.18764/1983-2850v19n56e28729

Parole chiave:

festas negras, religiosidade afrodescendente, saberes do sagrado, ancestralidade, Amazônia Tocantina

Abstract

Este artigo analisa a festa da Marierrê, realizada na vila de Carapajó, no Pará, dedicada à Nossa Senhora do Rosário, tomando-a como expressão da religiosidade afrodescendente e como espaço de produção e transmissão de saberes do sagrado na Amazônia Tocantina. O problema de pesquisa consiste em compreender de que modo essa celebração, formalmente vinculada ao catolicismo, reelabora elementos de matriz africana e os converte em práticas religiosas próprias, associadas à memória, à identidade e à resistência cultural. O estudo tem como objetivo central analisar as articulações entre fé, festa e ancestralidade, evidenciando os processos de reinvenção do sagrado no interior da experiência comunitária. Metodologicamente, a pesquisa fundamenta-se em uma abordagem qualitativa, de inspiração etnográfica e histórica, articulando observação participante, registros fotográficos, entrevistas com mestres e mestras guardiãs, análise de narrativas orais e documentos produzidos no contexto da celebração. A análise dialoga com referenciais da história cultural, da antropologia das religiões e dos estudos interculturais, situando a Marierrê nas dinâmicas da modernidade-colonialidade. Os resultados indicam que a festa se configura como um espaço de disputas simbólicas, de elaboração da memória coletiva e de afirmação identitária, no qual práticas devocionais são continuamente ressignificadas. Conclui-se que a Marierrê constitui um território de produção de conhecimentos situados, contribuindo para a preservação da religiosidade afrodescendente e para o fortalecimento dos vínculos comunitários na Amazônia Tocantina.

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Biografie autore

Fernanda Varela, Universidade do Estado do Pará

Doutora em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação – PPGED, Universidade do Estado do Pará – UEPA. Vice-líder do grupo de pesquisa Quilombos, Mocambeiros e História da Resistência Negra na Amazônia (QUIMOHRENA). Professora efetiva da rede municipal de ensino.

Benedita Celeste de Moraes Pinto, Universidade Federal do Pará

Doutora em História: História Social pela PUC/SP (2004); Pós Doutora em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da UFMT (PROCAD Amazônia - Capes -2019); Mestre em História: História Social pela PUC/SP (1999); licenciada plena e Bacharel em História pela UFPA (1995). Atualmente é professora Associada da Universidade Federal do Pará, lotada no Campus Universitário do Tocantins/Cametá, onde atua na Faculdade de História do Tocantins (FACHTO) e no Programa de Pós-Graduação em Educação e Cultura (PPGEDUC).

Tatiane do Socorro Correa Teixeira da Silva, Secretaria de Educação do Pará

Doutora em Antropologia pelo Programa de Pós-graduação em Antropologia e Sociologia-PPGSA, Universidade Federal do Pará-UFPA. Membro do  do grupo de pesquisa Quilombos, Mocambeiros e História da Resistência Negra na Amazônia (QUIMOHRENA). Professora efetiva da rede estadual de ensino, SEDUC/PA.

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Pubblicato

2026-10-14

Come citare

VARELA, Fernanda; PINTO, Benedita Celeste de Moraes; SILVA, Tatiane do Socorro Correa Teixeira da. A reinvenção do sagrado na Amazônia Tocantina: fé e ancestralidade na festa da Marierrê. Revista Brasileira de História das Religiões, São Luís, v. 19, n. 56, p. 1–18, 2026. DOI: 10.18764/1983-2850v19n56e28729. Disponível em: https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/rbhr/article/view/28729. Acesso em: 17 ott. 2026.

Fascicolo

Sezione

Artigos Livres