A fé e as festas negras em Áfricas-Brasis: a conceituação da Orixalidade
DOI:
https://doi.org/10.18764/1983-2850v19n56e28812Palavras-chave:
Orixalidade, Festas negras, Religiosidades afro-diaspóricas, Filosofia popular brasileiraResumo
Este artigo investiga a Orixalidade como categoria estético-epistemológica emergente das religiosidades afro-diaspóricas nos Brasis, articulando fé, festa e produção de saber desde os terreiros, ruas e práticas culturais populares. O problema de pesquisa consiste em compreender como experiências rituais do Candomblé e da Umbanda, associadas a manifestações festivas como carnavais, sambas e performances urbanas, constituem modos situados de pensamento, memória e resistência frente às colonialidades do saber. O objetivo é delinear os contornos conceituais da Orixalidade a partir da categoria Áfricas-Brasis, entendida como geografia histórica atravessada por ancestralidades africanas, indígenas e negociações diaspóricas. Metodologicamente, o estudo combina reflexão teórica, análise de objetos-acontecimentos artísticos e observação situada de práticas religiosas e culturais. A análise evidencia que fé e festa operam como dispositivos cosmopolíticos de transmissão de saberes, organização comunitária e reinvenção identitária. Como resultado, argumenta-se que a Orixalidade constitui um campo ético-estético plural, no qual religiosidade, oralidade, corporalidade e criação artística se imbricam, produzindo pedagogias coletivas e estratégias contracoloniais. Conclui-se que as festas negras e afro-indígenas não apenas expressam devoção, mas configuram territórios vivos de conhecimento, fundamentais para a compreensão contemporânea da cultura negra e das políticas de existência no Brasil.
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