Educação do Campo e projetos de campo em disputa: resistências político-pedagógicas e o cenário capixaba
DOI:
https://doi.org/10.18764/2178-2229v33n1e27002Palavras-chave:
educação contextualizada, escola do campo, fechamento de escolas, resistência, territorializaçãoResumo
O artigo analisa os fundamentos políticos e conceituais da Educação do Campo no Brasil, enfatizando as contradições entre os projetos de campo em disputa e seus impactos sobre a existência e a permanência das escolas em territórios rurais. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, fundamentada em revisão teórica e análise documental, articulando dimensões históricas, políticas e educacionais. A partir do estudo da realidade capixaba, evidencia-se como a expansão do agronegócio tem provocado o fechamento sistemático de escolas, fragilizado vínculos comunitários e aprofundado as desigualdades educacionais. A escola do campo é defendida como prática de resistência, voltada à valorização das culturas camponesas, à formação territorializada e à afirmação de outras racionalidades educativas. O artigo também discute o papel estratégico da escola no fortalecimento dos territórios rurais e nas disputas simbólicas e materiais que envolvem a educação pública no campo. Com base em dados oficiais do Espírito Santo, denuncia-se o avanço de uma lógica tecnocrática e desterritorializante, contraposta por experiências que reafirmam a Educação do Campo como horizonte de transformação social e meio de construção de identidades, pertencimento e justiça.
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