Da política de implementação do projeto de escolas inclusivas à educação de surdos na Universidade Eduardo Mondlane
Palavras-chave:
política de inclusão; educação de surdos; práticas pedagógicasResumo
Foi com base na política de implementação do Projecto de Escolas Inclusivas, em 1998, o qual tratava não só de inclusão de pessoas com necessidades educativas especiais, neste caso surdos, em escolas regulares, como também assegurava o uso da língua de sinais como meio de instrução para estes alunos, que a Universidade Eduardo Mondlane em 2013, introduziu o curso de licenciatura em Língua de Sinais de Moçambique. Parecia abrir-se, de repente, um novo caminho com algumas mudanças longamente esperadas por estudantes surdos saídos das escolas regulares. Decorridos dez anos, os estudantes surdos continuam a não se reverem no currículo que lhes é imposto abraçar, apresentando um fraco domínio de conteúdos de diversas unidades curriculares. Visando contribuir para uma formação de qualidade, o presente estudo objetiva refletir sobre as políticas e a sua praticidade no currículo assente ao curso de licenciatura em ensino de Língua de Sinais a que os estudantes surdos estão inscritos. Numa abordagem qualitativa, de natureza interpretativa e com análise de conteúdo de entrevistas semiestruturadas aplicadas a estudantes surdos do curso licenciatura em ensino de Língua de Sinais, constátamos que aqueles apresentam dificuldades de compreensão do seu currículo apesar de algumas unidades curriculares serem ministradas por professores surdos. Afirmam que as políticas preocupam-se com a proximidade dos estudantes surdos aos currículos desejados, todavia a aplicabilidade desses instrumentos estão aquém de serem alcançadas. Concluímos que há uma necessidade de se aproximar o estudante surdo a um currículo que respeite suas especificidades, exigindo, assim, um repensar das práticas pedagógicas.
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