Educação de Surdos no Brasil: as políticas educacionais como condutoras de formas de vida surdas
DOI:
https://doi.org/10.18764/2178-2229v33n2e26423Palavras-chave:
formas de vida surdas, políticas educacionais, Educação de SurdosResumo
Este trabalho propõe uma reflexão sobre as formas de vida surdas no contexto das políticas educacionais. O objetivo é investigar como as formas de vida surdas são normatizadas, a nível nacional, pelas políticas educacionais. O percurso metodológico se constitui a partir da seleção e da análise de um conjunto de documentos nacionais, no recorte temporal das últimas três décadas, a partir de uma abordagem qualitativa, fundamentada teoricamente nos Estudos Foucaultianos, de onde elege o conceito de matriz de experiência como ferramenta teórico-metodológica. Os resultados da pesquisa mostram que as políticas educacionais se constituem como superfície que congrega: a) um conjunto de saberes que reúnem concepções e disputas sobre a surdez, a experiência surda e os percursos educacionais destinados à população surda, influenciados, preponderantemente, pelas áreas da Saúde e da Educação; b) o registro histórico das normativas que conduziram/conduzem os processos educacionais de surdos no Brasil, e; c) projeções de características, como traços identitários, direcionadas aos sujeitos surdos conformados nesse jogo de tensões entre os campos que disputam a hegemonia discursiva sobre as formas de vidas surdas. As conclusões indicam o fortalecimento recente da ênfase bilíngue para a Educação de Surdos, como uma aproximação às reivindicações históricas do movimento surdo e como possibilidade para a emergência de outras formas de vida, mais afetivamente vinculadas entre si, considerando que esse modelo contribui para a construção de uma experiência de vida escolar profundamente marcada pela interação entre pares, em contraste às escolas comuns que, frequentemente, reiteram os princípios da Educação Especial.
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