AS TRANSGRESSÕES E A SONDAGEM DOS ESCUROS HUMANOS NA CONSTRUÇÃO DA PAISAGEM EM DEUS DE CAIM, DE RICARDO GUILHERME DICKE
DOI:
https://doi.org/10.18764/2525-3441v11n29.2026.02Palavras-chave:
Imaginário simbólico, Dialogismo, Transgressões, Interditos, Narrativas bíblicasResumo
Neste artigo apresentamos uma leitura sobre o imaginário simbólico do sagrado, do profano, do interdito e das transgressões no romance Deus de Caim, de Ricardo Guilherme Dicke, observando a influência que o espaço/a paisagem exerce na construção das personagens bem como o dialogismo da obra com narrativas bíblicas. No romance Deus de Caim (1968), Dicke apresenta um narrador interrogante e, ao mesmo tempo que se coloca como um sondador de abismos existenciais no espaço mítico de Pasmoso, apresenta uma aparente desordem à tradição bíblica clássica. Assim, tanto Abel como Caim e Lázaro ingressam no mundo obscuro da paisagem imaginada. O enredo da narrativa apresenta a vida primitiva de uma existência mato-grossense através dos gêmeos rivais Jônatas e Lázaro. Personagens que revivem o ódio bíblico de Caim e Abel e desnudam o choque oculto e, muitas vezes, contínuo entre a natureza humana e a religião permeado por incesto, adultério e o interdito religioso. À paisagem do imaginário sertão vão se misturando sertanejos, a dramática situação entre irmãos e fatos comuns do cotidiano; paixões surdas e abissais interrogações sobre os mistérios de vida e morte, Deus e o Diabo que trazem à tona um mundo de interdições mediado pela intolerância e pelo preconceito que conduzem o leitor a um espaço revelador dos desvios e segredos do homem.
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