A REPRESSÃO À LÍNGUA GALEGA COMO POLÍTICA DE INTERDIÇÃO DE LETRAMENTOS DURANTE O FRANQUISMO
DOI:
https://doi.org/10.18764/2525-3441v11n30.2026.12Palavras-chave:
letramento, repressão linguística, franquismo, língua galega, poder e ideologiaResumo
Este artigo tem como objetivo analisar a repressão à língua galega durante o franquismo como uma política de interdição de letramentos, considerando seus efeitos sobre as condições de produção, circulação e reconhecimento das práticas sociais de leitura e escrita. O estudo parte da compreensão do letramento como prática social historicamente situada e atravessada por relações de poder e ideologia, orientando-se pela pergunta de pesquisa sobre de que modo a repressão à língua galega durante o franquismo pode ser compreendida como uma política de interdição de letramentos? A investigação adota metodologia qualitativa, de base bibliográfica, com abordagem histórico-discursiva, articulando textos acadêmicos, estudos históricos e dois registros empíricos centrais, um panfleto de propaganda linguística distribuído em A Coruña em 1942 e um cartaz doutrinário do início dos anos 1940. A análise evidencia que a imposição do castelhano como língua exclusiva da vida institucional não se limitou a padronização administrativa, assumindo a forma de estratégia de hierarquização simbólica que associou correção linguística a valores morais e políticos, relegando práticas letradas em galego para esferas de baixa legitimidade. Os resultados indicam que a interdição se efetivou sobretudo por meio da naturalização da norma, da moralização do uso linguístico e da indução à autocensura, reduzindo a necessidade de coerção direta. Conclui-se que a repressão ao galego funcionou como tecnologia de governo que regulou o acesso aos letramentos, produziu exclusões estruturais e reafirmou a centralidade da linguagem na organização das desigualdades socioculturais em contextos autoritários.
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