Lutas Anticoloniais, Antirracistas e Anticapitalistas na África e os seus Desdobramentos em Moçambique
DOI :
https://doi.org/10.18764/2178-2865v30Epe30312Mots-clés :
Fronteiras de acumulação, Neocolonialismo, lutas sociais, ÁfricaRésumé
O presente texto analisa criticamente os processos e as dinâmicas socioespaciais em curso na África, os quais estão enraizados nas colonialidades do poder e do saber, como também no racismo enquanto elemento central do capitalismo contemporâneo. Igualmente, critica e questiona a apatia das elites africanas no saque das riquezas africanas. Defende que as independências africanas, proclamadas em datas diferentes, algumas por lutas armadas, e outras, de forma pacífica (negociação) não significaram, nem para um país africano, e nem para outro, a ruptura das práticas coloniais. Por sua vez, defende que a África não é pobre, mas sim, rica, sendo que a mesma vem sendo saqueada e empobrecida por diferentes atores sociais em vários momentos históricos da sua formação socioespacial. Atualmente, o processo de saque e empobrecimento da África ocorre sob a conivência das elites africanas. Para além de serem coniventes com a exploração e espoliação da África, as elites africanas são parte deste processo desigual e contraditório do capitalismo monopolista. A outra face do neocolonialismo na África é a expropriação e expulsão, e consequentemente, a negação dos territórios e acesso à renda advinda da exploração dos recursos naturais (das quais, a terra, minerais, gás, petróleo, madeira etc.) aos povos africanos. A isso, adiciona-se também a reprodução do racismo no contexto da territorialização das multinacionais. No entanto, mesmo diante de situações adversas à sua reprodução social, unidas pela causa libertária, os povos africanos têm se mobilizado, lutando contra práticas opressoras, numa clara oposição aos interesses das classes dominantes
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