Desmonte, Desigualdade e Mercadoria
o enfrentamento interseccional às violências neoliberais contra as mulheres
DOI :
https://doi.org/10.18764/2178-2865v30n1e30173Mots-clés :
Interseccionalidade. Mulheres, Neoliberalismo, Política social, ViolênciasRésumé
Este artigo analisa o papel do Estado brasileiro frente às violências estruturais agravadas pelo neoliberalismo, a partir de uma perspectiva interseccional que articula classe, raça, gênero e território. A pesquisa, de abordagem qualitativa, baseia-se em revisão crítica da literatura, análise legislativa e diálogo com estudos empíricos sobre políticas de austeridade, violência contra a mulher e judicialização da saúde. Argumenta-se que o neoliberalismo opera por meio de uma tríade violenta: o desmonte de políticas públicas universais, a produção e reprodução de desigualdades no território e a mercantilização de direitos fundamentais, como a saúde. A perspectiva interseccional revela que esses processos atingem de forma mais brutal mulheres negras e periféricas. Conclui-se que o Estado, apesar de sua funcionalidade ao capital, é um campo de disputa essencial. O enfrentamento efetivo dessas violências exige não apenas a resposta judicial corretiva, mas, sobretudo, o fortalecimento de políticas públicas universais, a territorialização equitativa de serviços e a construção de um projeto ético-político anticapitalista, antirracista e feminista.
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