A exceção que confirma a regra: a punição como prioridade orçamentária no neoliberalismo brasileiro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18764/2178-2865.v29n2.2025.30

Palavras-chave:

neoliberalismo, políticas de segurança pública, ajuste fiscal, prioridade de gastos públicos, gestão da miséria

Resumo

O trabalho analisa as despesas com as políticas criminais e de segurança pública no contexto político-econômico neoliberal. Enquanto há constante pressão para o corte de investimentos públicos em áreas sociais (saúde, educação, trabalho, proteção e assistência social), há um crescente apelo para que o Estado gaste mais com segurança e controle penal. Sustentamos que essa primazia não é uma exceção às demandas por "menos Estado" do neoliberalismo, mas sim que o poder punitivo é parte integrante e fundamental desse modelo, baseado no binômio: idolatria do mercado e poder punitivo. Por meio de pesquisa bibliográfica e análise de dados orçamentários da União e de algumas Unidades da Federação, discute o papel central dos gastos nesse campo para a gestão da miséria no capitalismo tardio, caracterizando uma política antidemocrática e excludente.

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Biografia do Autor

Ana Carolina de Morais Colombaroli, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - UNESP

Bacharela e Mestra em Direito (UNESP), Doutora pelo Programa de Pós-Graduação Integração da América Latina (USP). Professora assistente doutora do Departamento de Educação, Ciências Sociais e Políticas Públicas da UNESP, campus de Franca e do Departamento de Ciências Jurídicas da UEMG, campus de Passos. Atualmente tem se dedicado ao estudo do capitalismo tardio e a configuração da punitividade contemporânea. Autora do livro Medo do crime e legislação criminal na América Latina.

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Publicado

2025-12-19

Como Citar

COLOMBAROLI, Ana Carolina de Morais.
A exceção que confirma a regra: a punição como prioridade orçamentária no neoliberalismo brasileiro
. Revista de Políticas Públicas, v. 29, n. 2, p. 555–573, 19 Dez 2025 Disponível em: https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/rppublica/article/view/26398. Acesso em: 9 jan 2026.