"Xangô rezado alto" em Alagoas: festas públicas de lavagem e o afroturismo

Autor/innen

DOI:

https://doi.org/10.18764/1983-2850v19n55e28767

Schlagworte:

festas de lavagem, afroturismo, intolerância religiosa, patrimônio cultural, Alagoas

Abstract

O artigo examina as festas de lavagem realizadas em Alagoas como expressões culturais que articulam religiosidade, memória e afroturismo, compreendido simultaneamente como prática sociocultural, estratégia de valorização identitária e possibilidade de desenvolvimento local. Inserido no contexto histórico de intolerância religiosa marcado pelo Quebra de Xangô de 1912, o estudo parte do problema de compreender de que maneira tais manifestações contribuem para o fortalecimento das comunidades de terreiro e para a consolidação do afroturismo. Adotou-se abordagem qualitativa, fundamentada em estudo de caso múltiplo, com triangulação de métodos e fontes. Foram investigadas três celebrações: a Lavagem do Pátio da Igreja do Senhor do Bonfim, em Maceió; a Lavagem do Rosário dos Pretos; e a Lavagem da Calçada da Igreja do Senhor do Bonfim, ambas em Penedo. A pesquisa envolveu  observação participante nas edições realizadas entre 2023 e 2025 e entrevistas semiestruturadas com lideranças religiosas e gestores públicos. Os resultados indicam que as festas de lavagem extrapolam a dimensão ritual, configurando-se como atos políticos de ocupação simbólica do espaço urbano e como estratégias de enfrentamento ao racismo religioso, ao mesmo tempo em que evidenciam potencial para integração estruturada às políticas de afroturismo. Contudo, identificam-se fragilidades no planejamento e na atuação do poder público estadual, o que limita a consolidação dessas práticas como política pública contínua. Conclui-se que tais celebrações constituem dispositivos socioculturais capazes de fortalecer o afroturismo e articular religiosidade, memória e desenvolvimento local, desde que preservado o protagonismo das comunidades de terreiro e evitada a descaracterização ritual decorrente de processos de espetacularização.

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Autor/innen-Biografien

Renata Lima, Universidade Federal de Alagoas

Doutora em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Mestre em Ciências Sociais e Bacharel em Turismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Professora do Curso de Turismo da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Campus Arapiraca/Unidade Educacional Penedo.

Silvana Ramos, Universidade Federal de Alagoas

Doutora em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Mestre em Sociologia Política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Possui graduação em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, e em Comunicação Social pelo Instituto Metodista de Ensino Superior. Professora do Curso de Turismo da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Campus Arapiraca/Unidade Educacional Penedo.

Fabiana Lima, Universidade Federal de Alagoas

Doutora em Ciências Sociais pela Universidade Fernando Pessoa-PT.  Mestre em Antropologia e Bacharel em Turismo pela Universidade Federal de Pernambuco. Professora do Curso de Turismo da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Campus Arapiraca/Unidade Educacional Penedo.

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Veröffentlicht

2026-06-10

Zitationsvorschlag

LIMA, Renata; RAMOS, Silvana; LIMA, Fabiana. "Xangô rezado alto" em Alagoas: festas públicas de lavagem e o afroturismo. Revista Brasileira de História das Religiões, São Luís, v. 19, n. 55, p. 1–12, 2026. DOI: 10.18764/1983-2850v19n55e28767. Disponível em: https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/rbhr/article/view/28767. Acesso em: 15 juni. 2026.