Do afogamento ao renascimento

transficcionalidade e relações interartes em “The Fate of Ophelia”

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18764/2525-3441v11n30.2026.06

Palavras-chave:

Taylor Swift, Ofélia, Transficcionalidade, Estudos interartes, William Shakespeare

Resumo

A canção e o videoclipe The Fate of Ophelia, associados à persona artística de Taylor Swift, podem ser
compreendidos a partir da articulação entre transficcionalidade e estudos interartes/intermidialidade. Com base na
noção de transficcionalidade proposta por Richard Saint-Gelais (2005), Ofélia é tomada não apenas como referência
intertextual a Hamlet, de William Shakespeare, mas como figura ficcional que atravessa diferentes obras, mídias e
regimes estéticos, sendo deslocada e reconfigurada em novos contextos narrativos. A leitura parte dos primeiros
segundos do videoclipe, nos quais se recria visualmente a pintura Ophelia, de Friedrich Wilhelm Theodor Heyser
(1900), instaurando uma cadeia de mediações entre teatro, pintura, canção pop e mídia audiovisual. Para discutir
esse trânsito entre linguagens artísticas, são mobilizados os estudos de Étienne Souriau (1983), Mario Praz (1982),
Thaïs Flores Diniz (2005) e Claus Clüver (2001), cujas contribuições permitem pensar as relações entre literatura,
artes visuais, música e imagem em movimento. Defende-se que The Fate of Ophelia não apenas retoma a
personagem shakespeariana, tradicionalmente associada à loucura, ao silenciamento, ao abandono e à morte por
afogamento, mas reescreve seu destino trágico ao convertê-la em signo de sobrevivência, renascimento e disputa
narrativa. Nessa perspectiva, a obra evidencia como figuras ficcionais consagradas pela tradição podem ser
reativadas em novos sistemas culturais e midiáticos, tensionando representações históricas da dor feminina como
bela, passiva e inevitável.

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Biografia do Autor

Jefferson Pereira Barreto, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Licenciado em Artes Visuais pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci (2019), com especializações em Psicopedagogia Clínica e Institucional (2023) e Arte Educação, Cultura e Regionalismo (2023), ambas pela Faculdade Novoeste. Atualmente cursa o Mestrado Profissional em Artes na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, com bolsa CAPES. 

Tiago Marques Luiz, Universidade Federal da Grande Dourados

Possui graduação em Letras Licenciatura/Habilitação Português/Inglês pela Universidade Federal da Grande Dourados (2009), especialização em Tradução de Inglês pela Universidade Gama Filho (2011), Mestrado em Estudos da Tradução pela Universidade Federal de Santa Catarina (2013) e Doutorado em Estudos Literários pela Universidade Federal de Uberlândia (2019). Atualmente é professor adjunto na Universidade Federal da Grande Dourados.

Referências

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Publicado

2026-10-15

Como Citar

BARRETO, Jefferson Pereira; LUIZ, Tiago Marques. Do afogamento ao renascimento: transficcionalidade e relações interartes em “The Fate of Ophelia”. Afluente: Revista de Letras e Linguística, Bacabal, v. 11, n. 30, p. 1–25, 2026. DOI: 10.18764/2525-3441v11n30.2026.06. Disponível em: https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/afluente/article/view/30042. Acesso em: 17 out. 2026.