TRÊS ROMANCES POLIFÔNICOS DE JOSÉ LINS DO REGO
DOI:
https://doi.org/10.18764/2525-3441v11n29.2026.07Palabras clave:
Polifonia, José Lins do Rego, Menino de engenho, Fogo morto, CangaceirosResumen
Este artigo pretende analisar a polifonia (Bakhtin, 2018) na obra de José Lins do Rego, a partir de uma organização panorâmica, tomando três de seus romances, escritos entre 1930 e 1950. Considera-se a obra literária como um todo orgânico, que abrange dimensões de conteúdo e de forma, relacionadas dialeticamente, como propunha Candido (2000). Em Menino de engenho, romance que mais poderia tender ao uso particular da voz narrativa, por ocorrer em primeira pessoa, a polifonia se expressa na oralidade popular e na organização geográfica social do engenho onde convivem, embora de modo problemático, a casa grande e a senzala Freyre (2004). Em Fogo morto, a narrativa se estende para além de um único engenho e passa a englobar sistematicamente o que está em volta dessa célula produtiva, incluindo trabalhadores livres e cangaceiros, por exemplo. Formalmente, se divide em três partes, narradas por perspectivas distintas. Por fim, em Cangaceiros, a ideia o polifônico que se expressa pelas vozes do bando de Aparício é radical, uma vez que, do ponto de vista formal, a narração é frequentemente entregue da terceira pessoa a diversos personagens através do discurso direto, trazendo as vozes dos diversos habitantes daquele mundo que envolve o cangaço. Entende-se, afinal, que a obra do romancista paraibano não só faz parte de um modelo de produção literária polifônico, cujo diálogo entre autores de sua época se estabelece notoriamente, como também surgem as muitas vozes e focos narrativos, que entram em cena no Brasil da primeira metade do século XX.
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