Uma polifonia de valores, símbolos e comportamentos: festas e celebrações do associativismo negro no imediato pós-abolição
DOI:
https://doi.org/10.18764/1983-2850v19n55e28556Palavras-chave:
festas negras, associativismo negro, pós-abolição, Sabará (Minas Gerais)Resumo
O artigo analisa as festas negras no imediato pós-abolição a partir das experiências do associativismo negro em Sabará, na região central de Minas Gerais, nas décadas de 1880 e 1890. O objetivo é compreender os significados culturais e os sentidos políticos atribuídos às celebrações do 13 de Maio e às festas religiosas promovidas pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, situando-as como espaços privilegiados de sociabilidade, disputa e ação política das populações negras. Com base na análise dos livros de atas da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e, sobretudo, da imprensa local, examinamos as diferentes, e por vezes contraditórias, leituras, sentidos e significados que os participantes dessas festas construíram e atribuíram às múltiplas experiências do festejar. Argumenta-se que essas manifestações não podem ser compreendidas como eventos homogêneos ou desprovidos de densidade política, mas como campos simbólicos marcados por polifonia de valores, conflitos e negociações em torno de noções de cidadania, liberdade jurídica e igualdade formal. O estudo evidencia, assim, como o direito de festejar constituiu uma dimensão fundamental das lutas por participação política e pertencimento social no pós-abolição.
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