A pós-canção em R.C. (2022), de Angélica Freitas e Vitor Ramil: entre a letra, a imagem e o som
DOI:
https://doi.org/10.18764/2177-8868v16n32e27607Palavras-chave:
pós-canção, pós-pop, transposição, Angélica Freitas, Vitor RamilResumo
No contexto das experimentações contemporâneas em torno da forma canção, o conceito de “pós-canção” surge como uma chave crítica para pensar composições que desafiam as estruturas convencionais da música popular. Considera-se que, na transposição de um poema para a canção, esta, ao reutilizar o elemento linguístico do texto poético preexistente, apresenta, em seu componente melódico, uma contraparte criativa. Nesse sentido, este ensaio tem como objetivo refletir sobre o processo de transposição do poema r.c. (2007), de Angélica Freitas, para a canção R.C. (2022), de Vitor Ramil, a partir dos conceitos de pós-produção e de obra de arte não original, propostos respectivamente por Nicolas Bourriaud (2009) e Marjorie Perloff (2013). Em um segundo momento, a investigação busca lançar luz sobre as relações entre letra, imagem e som no produto artístico concebido por Freitas e Ramil. A partir disso, pretende-se estabelecer paralelos com obras atravessadas por processos similares, como o álbum de poemas mixados I Who Cannot Sing, de Patrícia Lino, e a canção “Uma Canção”, do grupo paulistano Filarmônica de Pasárgada. Por fim, considera-se a possibilidade de que “R.C.” contenha um conteúdo que transcende o verbo, o som e o visual: a arte pop. Em outras palavras, os elementos que caracterizam o gesto pós-produtivo no poema transposto à canção não apenas fundam uma pós-canção, mas também apontam para o que se poderia chamar de um pós-pop, cuja expressão se consolida justamente na configuração de R.C.
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