Linguagem, música e expressividade sob a perspectiva crítica de Rousseau
DOI:
https://doi.org/10.18764/2177-8868v16n32e26966Palavras-chave:
Rousseau, música, linguagem, expressividadeResumo
A presente pesquisa aborda as concepções musicais de Jean-Jacques Rousseau, evidenciando sua crítica à música francesa expressa na obra Carta sobre a música francesa. O objetivo da investigação consiste em compreender como Rousseau articula os pressupostos filosóficos da hipótese segundo a qual os franceses não possuem uma língua apropriada à música. A metodologia adotada foi de natureza bibliográfica, com base no método analítico, aplicando procedimentos de levantamento teórico das obras principais de Rousseau e de análise comparativa entre diferentes tradições musicais, em especial a francesa e a italiana. A análise se concentrou em três eixos: a contextualização histórica das óperas no século XVIII, a teoria da linguagem e da melodia em Rousseau, e a crítica à sociedade do espetáculo. Os resultados indicam que Rousseau atribui à melodia o papel central na expressividade da música, entendendo que línguas mais melódicas, como a italiana, são mais adequadas à música do que a francesa, considerada rígida e sem ternura. Conclui-se que, para Rousseau, a degeneração da música decorre da sobreposição da harmonia à melodia, processo diretamente ligado à deterioração da linguagem natural. A valorização da melodia representa, portanto, uma defesa da autenticidade emocional da música e da sua função comunicativa original.
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