O reggae e a transformação da “Atenas brasileira” em “Jamaica brasileira”
Palavras-chave:
reggae, identidade cultural, São Luís do Maranhão, mídia, diáspora africanaResumo
Este artigo analisa a transformação identitária de São Luís do Maranhão a partir da expansão do reggae, inserindo esse processo em dinâmicas mais amplas do século XX, nas quais práticas culturais negras e locais se tornaram símbolos identitários. Argumenta-se que a consolidação de um mercado de entretenimento, impulsionado pelo rádio, pela televisão e pelos espetáculos ao vivo, foi fundamental para essa mudança. O reggae, inicialmente restrito às periferias e associado à marginalidade, expandiu-se progressivamente entre diferentes camadas sociais, graças à atuação de DJs, produtores e comunidades negras. Essa difusão não resultou de uma apropriação estatal ou elitista, mas de um processo contínuo de agenciamento cultural. A emergência da ideia de “Jamaica brasileira” revela a formação de uma comunidade imaginada mediada pelos meios de comunicação. Apesar das resistências iniciais das elites, o reggae redefiniu o imaginário urbano de São Luís, evidenciando o papel das culturas subalternas na construção de identidades coletivas.
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