O esvaziamento da raça e o Caribe epistêmico em Úrsula e La maldición (1859)

Autores

Palavras-chave:

Maria Firmina dos Reis, Manuel María Madiedo, Caribe epistêmico, esvaziamento racial, literatura afro-brasileira, século XIX latino-americano, colonialismo interno

Resumo

Este artigo propõe uma leitura comparada de Úrsula (1859), da escritora maranhense Maria Firmina dos Reis, e La maldición (1859), do escritor colombiano Manuel María Madiedo, como duas reações estéticas e epistêmicas ao projeto colonial da nação latino-americana do século XIX. O ano de publicação compartilhado ilustra uma fratura simbólica que permite articular, a partir das margens do cânone, uma resistência discursiva à dicotomia civilização/barbárie que estruturou as utopias nacionais das elites letradas do período. A análise organiza-se em torno de três operações textuais: o esvaziamento dos conceitos raciais herdados da ordem colonial, a restituição de subjetividade aos sujeitos silenciados mediante inovações na focalização narrativa e a ressignificação do território como memória. Argumenta-se que ambas demonstram que as categorias de "raça", "barbárie" e "civilização" são construções contingentes do poder, incapazes de sustentar o peso moral que lhes atribuíram seus fabricantes. Para descrever a zona de enunciação a partir da qual operam esses textos, o artigo desenvolve a noção de "Caribe epistêmico" como modo de habitar o pensamento a partir das margens do projeto colonial.

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Publicado

2026-06-30

Como Citar

Benavides, A. R. G. (2026). O esvaziamento da raça e o Caribe epistêmico em Úrsula e La maldición (1859). Revista Iluminus, 1(3), 1–8. Recuperado de https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/iluminus/article/view/29852

Edição

Seção

Seção 5: São Luís, portal metafísico e cultural