Salvador de Bahia fotografada em uma noite de Candomblé
Palavras-chave:
candomblé, religiões afro-brasileiras, memória afro-diaspórica, ritual, experiência da dorResumo
Este texto apresenta uma crônica reflexiva sobre a experiência de participação em uma cerimônia de Candomblé em Salvador, Bahia, articulando narrativa pessoal, observação etnográfica e reflexão cultural sobre as religiões de matriz africana no Brasil. A partir de um encontro casual em um restaurante do bairro Santo Antônio, o narrador e seus acompanhantes são convidados a assistir a uma noite ritual em um terreiro. O relato descreve elementos centrais do Candomblé, como o padê de Exu, o xirê, o papel dos atabaques, a incorporação dos orixás e a importância do axé como princípio de equilíbrio vital. Paralelamente, o texto discute a persistência da intolerância religiosa no Brasil, evocando casos emblemáticos como o de Mãe Gilda de Ogum. A experiência ritual é apresentada não apenas como espetáculo religioso, mas como forma de transmissão de memória afro-diaspórica, na qual corpo, música e dança funcionam como veículos de continuidade histórica. O momento culminante da narrativa ocorre quando uma orixá associada à cura abraça o narrador, que havia sofrido recentemente de uma neuralgia intensa. Esse encontro simbólico permite articular a dimensão espiritual do ritual com a experiência subjetiva da dor e da cura, sugerindo que o Candomblé constitui um espaço de resistência cultural, memória coletiva e reinterpretação da experiência humana.
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