O imaginário poético de Catulo da Paixão Cearense em Luar do Sertão
DOI:
https://doi.org/10.18764/2177-8868v16n32e27587Palavras-chave:
arquétipos, Catulo da Paixão Cearense, imaginário, memória, residualidadeResumo
O cantor e compositor maranhense Catulo da Paixão Cearense é um ícone da música popular brasileira e teve papel preponderante na disseminação da cultura nordestina, sua principal canção Luar do Sertão contribuiu para a propagação do quão belo é o sertão nordestino e colaborou com a cisão da imagem do sertão que estava alojada na memória do povo brasileiro: um lugar seco e triste. Pela canção Luar do Sertão (1996), Catulo da Paixão Cearense nos conecta com o campo da memória (Nora, 1993; Halbwachs, 2012) do imaginário (Durand, 2002), das representações imagéticas e de resíduos culturais das tradições nordestinas. Trata-se uma pesquisa teórica, de teor antropológico, na qual se pretende, por meio da musicalidade do compositor, abordar as estruturas imaginárias na canção, tendo como suporte teórico-metodológico a Antropologia do Imaginário, de Gilbert Durand (2002), A Poética do Devaneio (1988) e A Poética do Espaço (1958) de Gaston Bachelard, o Lugar da Memória, de Pierre Nora (1993), O Sagrado e Profano, de Mircea Eliade (1991), a Teoria da Residualidade, de Roberto Pontes (1999) e Maurice Halbwachs, com o seu livro Memória Coletiva (2012). Deste modo, o que se constata de forma mais imediata é que Luar do Sertão de Catulo da Paixão Cearense apresenta resíduos de características de períodos literários, como o Romantismo e o Parnasianismo, com destaque para aspectos como o nacionalismo, o saudosismo, a exaltação à natureza e a idealização telúrica romântica; além da linguagem rebuscada e da preocupação com a estética da canção, próprias do Parnasianismo. Além disso, é possível observar, a estrutura da imagem do regime diurno e noturno de Gilbert Durand. Por fim, nota-se que a formulação da canção Luar do Sertão estabelece uma relação com a estrutura antropológica da imagem na identificação de arquétipos e de resíduos que conversam com épocas literárias anteriores.
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