A região do Lago Grande do Curuai, em Santarém, Estado do Pará: uma fronteira de multiplicidade identitária
DOI:
https://doi.org/10.18764/2446-6549.e29943Palavras-chave:
Fronteira, Lago Grande do Curuai, Conflitos, Fronteira de multiplicidade identitáriaResumo
As disputas na fronteira do Lago Grande do Curuai, em Santarém, constituem um caso sui generis na história do Pará, marcado por conflitos pelo uso da terra e pela emergência de identidades múltiplas e híbridas. Essas identidades se alternam, modificam-se e, em alguns momentos, sobrepõem-se, sem anular umas às outras, podendo, inclusive, fortalecer ou cooperar entre si. Nesse contexto, o objetivo deste artigo é analisar como essas identidades são construídas nessa fronteira, localizada no Assentamento PAE Lago Grande. A pesquisa fundamentou-se em uma abordagem qualitativa, que incluiu levantamento bibliográfico, pesquisa de campo e tratamento dos dados. Os resultados evidenciam um território em constante processo de transformação, em que as prerrogativas legais do assentamento limitam o avanço do capital produtivo, ao mesmo tempo em que o processo de emancipação abre espaço para a expansão de novos capitais, como o imobiliário, o agrário e o land grabbing, intensificando conflitos. Nesse cenário, a construção de identidades atua como elemento de resistência, o que confirma a formação de uma fronteira de multiplicidade identitária, onde coexistem indígenas, pescadores, produtores agroecológicos, produtores rurais e “pejoteiros”, por vezes reunidos em uma mesma persona.
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