https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/rbhr/gateway/plugin/AnnouncementFeedGatewayPlugin/atomRevista Brasileira de História das Religiões: Notícias2026-01-06T19:35:09-03:00Open Journal Systems<p>A Revista Brasileira de História das Religiões (RBHR) é uma publicação sediada no Programa de Pós-Graduação em História e Conexões Atlânticas (PPGHis) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e vinculada ao GT de História das Religiões e Religiosidades (GTHRR) da Associação Nacional de História (ANPUH).</p> <p>A RBHR publica textos originais de temáticas vinculadas à história das religiões, prezando pelo diálogo com as diversas áreas do saber, como Sociologia, Antropologia, Teologia, Filosofia, Geografia e Literatura, entre outras.</p> <p>ISSN 1983-2850</p> <p>Periodicidade: Quadrimestral</p> <p><strong>Qualis/CAPES (2017-2020): A2</strong></p>https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/rbhr/announcement/view/501Chamada Temática: CHAMADA TEMÁTICA N.º 58: Práticas religiosas e práticas políticas nas Américas (séc. XXI)2026-01-06T19:35:09-03:00Revista Brasileira de História das Religiões<p><strong>CHAMADA TEMÁTICA N.º 58: Práticas religiosas e práticas políticas nas Américas (séc. XXI)</strong></p> <p> </p> <p><strong>APRESENTAÇÃO</strong></p> <p>A relação entre práticas religiosas e práticas políticas nas Américas tem se intensificado tanto nos espaços institucionais quanto no cotidiano social. Observa-se, ao longo do século XXI, o crescimento das chamadas “bancadas religiosas” nos poderes legislativos de diversos países, bem como o uso cada vez mais frequente de discursos e simbologias religiosas por grupos políticos sobretudo da direita, embora não exclusivamente. Verifica-se também o surgimento e fortalecimento de partidos confessionais, a ampliação de disputas em torno de pautas morais na arena pública e o questionamento, por grupos religiosos, de demandas vinculadas aos direitos humanos. Paralelamente, aumentam decisões judiciais fundamentadas em critérios de natureza religiosa e intensificam-se debates sobre os limites da laicidade estatal no continente. A cada ciclo eleitoral, cresce o número de candidaturas que mobilizam identidades e pertencimentos religiosos como estratégia de legitimação política. No âmbito do Executivo, mandatários e aspirantes ao cargo acionam valores, linguagens e referências religiosas para obter apoio público, influenciar agendas políticas e justificar propostas civis a partir de argumentos de matriz eclesiástica. Desse modo, o presente dossiê pretende conjugar pesquisas que abordem a dinâmica entre práticas religiosas e práticas políticas nas Américas no século XXI, seja em perspectiva sincrônica ou diacrônica, comparativa, transnacionais ou estudos de caso, de modo que possa impulsionar o conhecimento e as ampliações das pesquisas no campo.</p> <p> </p> <p><strong>PRAZO DE SUBMISSÃO DE ARTIGOS:</strong> <br>31/10/2026</p> <p> </p> <p><strong>BIBLIOGRAFIA</strong></p> <p>ALVES JUNIOR, Alexandre Guilherme da Cruz; ROCHA, Daniel. A direita cristã nos Estados Unidos: usos do passado e projetos políticos (1980). <strong>Revista de História</strong>, São Paulo, n. 180, p. 1–39, 2021.</p> <p>GOLDBERG, Michelle. <strong>Kingdom Coming</strong>: The rise of Christian nationalism. NY London: W.W. Norton & Company, 2007.</p> <p>LINDBECK, George. <strong>The Nature of Doctrine</strong>. Religion and theology in a postliberal age. Philadelphia: Westminster Press, 1984.</p> <p>OLIVEIRA, Marco Davi. <strong>A religião mais negra do Brasil</strong>: por que os negros fazem opção pelo pentecostalismo? Viçosa: Ultimato, 2015.</p> <p> </p> <p><strong>PROPONENTES</strong></p> <p><strong>Alexandre Guilherme da Cruz Alves Junior</strong><br>É professor de História da América da Universidade Federal do Amapá e integra o corpo docente permanente do Mestrado em História Social (PPGH - UNIFAP) e do Mestrado Profissional em Ensino de História (PROFHISTÓRIA – UNIFAP. Integra o grupo de pesquisa História das Direitas e do Autoritarismo e é líder do grupo de pesquisa Rede de estudos de história dos Estados Unidos e Núcleo de História das Américas - UNIFAP.</p> <p><strong>Marcos Vinicius de Freitas Reis</strong> <br>É Doutor em Sociologia pela Universidade Federal de São Carlos. Docente do Curso de Mestrado Acadêmico em História Social da UNIFAP. Docente do Mestrado Profissional em História da Universidade do Estado do Maranhão (UEMA). Docente do Programa de Pós- Graduação em Educação na Amazônia - Educanorte. Líder do Centro de Estudos de Religião, Religiosidades e Políticas Públicas (CEPRES). Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Sociologia da Religião, atuando principalmente nos seguintes temas: Religião e Política, Diversidade Religiosa na Amazônia.</p>2026-01-06T19:35:09-03:00https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/rbhr/announcement/view/500Chamada Temática: CHAMADA TEMÁTICA N.º 57: Religião e Economia2026-01-06T19:26:26-03:00Revista Brasileira de História das Religiões<p><strong>CHAMADA TEMÁTICA N.º 57: Religião e Economia</strong></p> <p> </p> <p><strong>APRESENTAÇÃO</strong></p> <p>A religião e a economia sempre co-existiam, em todas as sociedades e culturas. No entanto, foi o Adam Smith que escreveu como primeiro sobre o funcionamento da religião dentro de um sistema de concorrência, igual àquela promovida por ele entre os atores do mercado econômico, constatando que as instituições religiosas pareciam mais vigorosas se separadas do Estado e seus subsídios, tendo que aprender a lutar sozinhas por sua sobrevivência e expansão. Karl Marx enxergou a função legitimadora da religião na preservação da ordem socioeconômica do capitalismo selvagem e no processo da “deificação” da mercadoria - a célula nuclear do modo de produção capitalista, tratada como fetiche com poderes sobrenaturais. Max Weber, descrevendo o papel decisivo do protestantismo calvinista no desenvolvimento do sistema capitalista, confirmou a justaposição das realidades religiosa e econômica, que influenciam-se mutuamente, moldando atitudes humanas sobre a ética do trabalho, o dinheiro, a santidade e a salvação. Mais tarde, Peter L. Berger (1967) descreveu como as instituições religiosas tornam-se “agências de marketing” e as tradições religiosas – “mercadorias de consumo”, aplicando na sua pesquisa sobre religião termos econômicos como “consumidores”, “clientes”, “empreendedores” e “linhas de produtos” oferecidos por “firmas religiosas”, que aproveitam de várias estratégias para entrar e expandir a sua oferta no mercado religioso. Convidamos para este dossiê temático os pesquisadores que queiram mergulhar neste mundo fascinante de impactos mútuos entre os dois campos, do sacrum e do profanum, que dificilmente podem ser separados. Aguardamos os resultados das pesquisas do campo e bibliográficas, históricas e contemporâneas, todas inéditas, para pensarmos sobre as diversas formas da incidência recíproca da religião e economia. Alguns dos temas que possam ser abordados incluem, por exemplo: trabalho assistencial, Teologia da Prosperidade, capitalismo como religião, relação entre o comunismo e religião, economia de Francisco e Clara, funcionamento das instituições religiosas: igreja empresa, fundações caritativas, associações de gestão das doações dos fiéis, análises dos mercados religiosos.</p> <p> </p> <p><strong>PRAZO DE SUBMISSÃO DE ARTIGOS:</strong> <br>31/7/2026</p> <p> </p> <p><strong>BIBLIOGRAFIA</strong></p> <p>BERGER, P. (1967). <em>The Sacred Canopy</em>. New York: Doubleday.</p> <p>MARX, K, (1867/2014) <em>Das Kapital</em> I, Otto Meissner: Hamburgo, Alemanha/O capital, Livro I. São Paulo: Boitempo.</p> <p>SMITH, A. (1776/1937). <em>The Wealth of Nations</em>. New York: The Modern Library.</p> <p>STARK, R., W. S. BAINBRIDGE (1987;2008) <em>Uma teoria da religião</em>, São Paulo: Paulinas, 2008.</p> <p>WEBER, M., (1904-1905/1930), <em>Die protestantische Ethik und der Geist des Kapitalismus/The Protestant ethic and the spirit of capitalism</em>, trad. Talcott Parsons, GB: Allen and Unwin.</p> <p> </p> <p><strong>PROPONENTES</strong></p> <p><strong>Renata Siuda-Ambroziak</strong><br>Doutora em filosofia social (2012) e pós-doutora em sociologia (2018). Professora associada da Universidade de Varsóvia, Instituto das Américas e Europa. Editora chefe da Revista del Cesla. International Latin American Studies Review (Qualis A2). Bolsista no Brasil pela União Europeia, CAPES, FAPESP, FAPEG, professora e pesquisadora visitante no Brasil (PUC-SP, UFSC, UERJ, UEG, USP, UEM, UFSM, UFBA). Especializa-se em temas relacionados com a religiao no Brasil.</p> <p><strong>Flávio Munhoz Sofiati</strong><br>Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (2009). Professor Associado de Sociologia da Universidade Federal de Goiás, Faculdade de Ciências Sociais, Programa de Pós-graduação em Sociologia. Membro do Observatório Juventudes na Contemporaneidade e do Núcleo de Estudos de Religião “Carlos Rodrigues Brandão”. Pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.</p>2026-01-06T19:26:26-03:00https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/rbhr/announcement/view/499CHAMADA TEMÁTICA N.º 56: A Companhia de Jesus e a tradução dos saberes e conhecimentos indígenas no contexto colonial americano. Séculos XVI e XVIII2026-01-06T19:02:50-03:00Revista Brasileira de História das Religiões<p><strong>CHAMADA TEMÁTICA N.º 56: A Companhia de Jesus e a tradução dos saberes e conhecimentos indígenas no contexto colonial americano. Séculos XVI e XVIII</strong></p> <p> </p> <p><strong>RESUMO</strong></p> <p>Os estudos acerca da atuação da Companhia de Jesus nos antigos impérios ibéricos têm constituído um dos mais significativos campos da historiografia colonial e, ao longo dos últimos decênios, essa produção tem evidenciado um forte caráter de renovação. Diante disso, o presente Dossiê visa reunir trabalhos que permitam resgatar o rol ativo dos indígenas na formulação de escritos, de natureza científica ou de conteúdo considerado significativo para o avanço das Ciências na Europa dos séculos XVI, XVII e XVIII. Dentro da análise esperada, desejamos contar com pesquisas de caráter interdisciplinar, podendo abarcar temporalidades e realidades múltiplas, que tornem possível debater em que medida a Companhia de Jesus, assim como outras ordens religiosas, apresentou os cânones do que deveria ser considerado ciência e, por conseguinte, invisibilizou os indígenas no que concerne à legitimidade de uma produção intelectual que partindo da mística, neste caso inaciana, esforçava-se por traduzir saberes e conhecimentos ameríndios para o grande público europeu.</p> <p> </p> <p><strong>EMENTA - JUSTIFICATIVA DA RELEVÂNCIA DO TEMA</strong></p> <p>A historiografia que aborda a ação missionária dos jesuítas nas Américas, seja na porção administrada pela coroa da Espanha ou nos territórios correspondentes à assistência de Portugal, assim como da França, tem debatido o modo de os jesuítas produzirem um conhecimento científico focado nos aspectos que hoje chamaríamos de “naturais”: um saber que mostrava, em parte, a racionalidade dos indígenas, dado que, como assumimos a partir de variadas pesquisas históricas, etno-históricas ou de recorte antropológico, os indígenas teriam um lugar de destaque na elaboração de informes e crônicas a partir de um quadro de informantes missionários. Um trabalho que nem sempre – pelo menos até agora – foi identificado de modo particular. Isto é, não conhecemos os nomes e trajetórias dos indígenas, sejam eles mulheres, homens e, por que não, crianças, que ajudaram os inacianos na construção de conhecimento. No entanto, pensamos que esta proposição continua a invisibilizar os indígenas, com o seu rol ativo na comunicação dos saberes e conhecimentos para o Velho Mundo, pela pena dos jesuítas mediante uma escrita que, partindo da mística inaciana, tentava reflexionar sobre as formas em que os indígenas entendiam o seu mundo natural para, logo, traduzir os saberes e conhecimentos nativos tirando deles todo o que pudesse ser considerado como parte da esfera mágico-religiosa. Por tanto, neste processo de tradução dos sentidos dos saberes e conhecimentos indígenas assistimos a uma filtragem da religiosidade nativa; operação historiográfica que parte de colocar em destaque a labor dos missionários e claro, aquela força interior que podemos identificar como parte da mística própria dos jesuítas.</p> <p>Para continuar debatendo a participação da Companhia de Jesus na produção de conhecimento a nível global, a fim de analisar o caráter dos ameríndios e as suas manifestações intelectuais – embora, algumas vezes, elas tivessem sido desacreditadas pelos irmãos de Santo Inácio –, é necessário resgatar a agência indígena na formulação dos saberes e conhecimentos que circulavam na Europa, sobretudo durante os séculos XVII e XVIII. É por esse motivo que consideramos mais apropriado refletir sobre o rol da tradução do conhecimento indígena desenvolvida pelos jesuítas, com o consequente apagamento dos informantes nativos, para uma matriz epistemológica europeia. Nessa tradução dos saberes e conhecimentos ameríndios, foi operacionalizada uma redução dos sentidos que sustentavam – e ainda podem ser considerados como as bases do saber ameríndio – os procedimentos lógicos que permitiam aos indígenas apresentar explicações sobre o Mundo e como interagir com ele a partir de um diálogo de intencionalidades que tornava possível a vida. Por tanto neste Dossiê convidamos para a sua apresentação, artigos originais que reflitam sobre alguns destes aspectos considerando, centralmente, o vinculo entre saber e conhecimentos como formas próprias da espiritualidade nativa assim como própria dos religiosos.</p> <p> </p> <p><strong>PRAZO DE SUBMISSÃO DE ARTIGOS<br></strong>30/4/2026</p> <p> </p> <p><strong>BIBLIOGRAFIA</strong></p> <p>AGNOLIN, Adone. <strong>Jesuítas e selvagens</strong>. A negociação da fé no encontro catequético americano-tupi (século XVI-XVII). São Paulo: Humanitas, FAPESP, 2007.</p> <p>FLECK, Eliane Cristina Deckmann. <strong>Entre a caridade e a ciência</strong>: a prática missionária e científica da Companhia de Jesus. São Leopoldo; Editora Unisinos: Oikos, 2014</p> <p>MECENAS, Ane Luíse Silva. <strong>O trato da perpetua tormenta</strong>: a conversão Kiriri nos sertões de dentro da América portuguesa. Aracaju: Edise, 2020.</p> <p>MILLONES FIGUEROA, Luis; Domingo LEDESMA, <strong>El saber de los jesuitas, historias naturales y Nuevo Mundo</strong>. Vervuert – Frankfurt; Iberoamérica – Madrid. 2005.</p> <p>POMPA, Cristina. <strong>A religião como tradução</strong>. missionários, Tupi e “Tapuia” no Brasil colonial. Bauru: EDUSC, 2003.</p> <p>VALLE, Ivonne del. <strong>Escribiendo desde los márgenes</strong>: colonialismo y jesuítas en el siglo XVII. México: Siglo XXI, 2009.</p> <p>ZERON, Carlos Alberto de Moura Ribeiro. <strong>A Companhia de Jesus e a escravidão no processo de formação da sociedade colonial</strong> (Brasil, século XVII). São Paulo: Edusp, 2011.</p> <p> </p> <p><strong>PROPONENTES</strong></p> <p><strong>Ane Luise Silva Mecenas Santos<br></strong>Doutora em História – UFRN<br>ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5648-7060<br>LATTES: http://lattes.cnpq.br/5086611569752849<br>E-mail: ane.mecenas@ufrn.br</p> <p><strong>Carlos Daniel Paz<br></strong>Doutor em História - Universidad Nacional del Centro de la Provincia de Buenos Aires, UNCPBA, Argentina <br>ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2297-3458<br>LATTES: http://lattes.cnpq.br/1491492918155227<br>E-MAIL: ychoalay@gmail.com<br><br></p>2026-01-06T19:02:50-03:00https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/rbhr/announcement/view/498Chamada Temática: CHAMADA TEMÁTICA N.º 55: Fé e festas negras e afro-indígenas2026-01-06T18:34:14-03:00Revista Brasileira de História das Religiões<p><strong>CHAMADA TEMÁTICA N.º 55: Fé e festas negras e afro-indígenas</strong></p> <p> </p> <p><strong>APRESENTAÇÃO</strong></p> <p>O estudo das festas negras e afro-indígenas na perspectiva histórica constitui um campo privilegiado para a compreensão aprofundada sobre os costumes, hábitos e crenças das camadas populares, bem como das formas de resistências, conflitos e das disputas existentes para a manutenção e continuidade de suas práticas culturais. Além disso, destaca-se o vínculo fundamental entre as festas e as manifestações de fé e religiosidades, evidenciando a relação intrínseca entre os festejos e as experiências religiosas e sagradas nos diversos contextos sociais e históricos.</p> <p>As pesquisas empreendidas por folcloristas desde as últimas décadas do século XIX, passando pela Missão de Pesquisas Folclóricas, liderada por Mário de Andrade nos anos 1930 e pelos estudos de Edison Carneiro entre as décadas de 1940 e 1960, apenas para citar alguns exemplos, demonstram a quase inseparabilidade entre as práticas culturais consideradas populares e a religiosidade. Essas investigações, assim como as pesquisas acadêmicas que vêm sendo realizadas atualmente, revelam que muitos espaços festivos criados e vivenciados pelos grupos ditos populares eram (e continuam sendo) locais relevantes de compartilhamento de experiências, de luta, de sociabilidade, de solidariedade, de busca por cidadania e, também, de expressão da fé e devoção.</p> <p>Concordamos com Martha Abreu e Matthias Assunção que discutem em importante artigo a abrangência dos conceitos sobre cultura popular e cultura negra e afirmam que o conceito de “cultura popular não daria mais conta de outros desafios políticos colocados pelos movimentos culturais de combate ao racismo e da naturalizada ideia de um Brasil mestiço, integrado racial e culturalmente. (...).” Por isso, atestam os autores que “o conceito de cultura negra, ao lado de cultura afro-brasileira, passou a cumprir o papel de não apenas enfatizar a ‘contribuição’ africana, mas de argumentar que esta havia sido dominante para a maioria das manifestações consideradas ‘tipicamente brasileiras’, como o samba ou a capoeira.” (ABREU, ASSUNÇÃO, 2018, p. 24) Sobre a a presença de elementos que remetem às culturas indígenas em uma quantidade significativa de expressões populares, observa-se, como afirma Maria Acseraldi, que mesmo aquelas marcadas por uma africanidade, “revelam a complexidade da relação entre indígenas e negros, para além da sua relação com os brancos” (ACSERALDI, 2020. p. 20). Nesse sentido, compreendê-las como festas e expressões culturais afro-indígenas, “mais do que determinar possíveis origens indígenas, cabe reconhecer intensas presenças, mesmo que escondidas sob o signo da invisibilidade" (ACSERALDI, 2020. p. 35).</p> <p>Desse modo, propomos que esse dossiê apresente reflexões que tratem especialmente das imbricadas relações entre a fé nos sagrados e as festas negras e afro-indígenas, consideradas centrais para as pesquisas que abarcam o que consideramos atualmente parte constituinte das culturas negras no Brasil. Além disso, buscamos compreender quais os impactos das leis 10.639/2003 e 11.645/2008 - que tornaram obrigatórios o ensino de histórias africanas, afro-brasileiras e indígenas nas instituições de ensino do país - relacionam-se com a temática proposta neste dossiê, especialmente no que tange às discussões sobre o racismo e a intolerância religiosa dentro e fora da esfera festiva comunitária.</p> <p>Nesse sentido, este dossiê temático convida pesquisadores e pesquisadoras dedicados ao estudo das festas negras e afro-indígenas em diferentes contextos e a refletirem sobre as relações entre os festejos e suas devoções, assim como contempla as discussões relativas à relação entre religião e identidades coletivas, religiosidades, cultura negra e políticas públicas, expressões artísticas, história oral e religiosidades; poder, resistência e fé; debates sobre o patrimônio cultural, memória e manifestações religiosas; religião e cultura nas mídias e tecnologias; gênero, sexualidade e religiosidade; movimentos sociais, religiosidade e cultura negra, além da história pública.</p> <p> </p> <p><strong>PRAZO DE SUBMISSÃO DE ARTIGOS<br></strong>20/2/2026</p> <p> </p> <p><strong>BIBLIOGRAFIA</strong></p> <p>ABREU, Martha; ASSUNÇÃO, Matthias. “Da cultura popular à cultura negra”. <em>In</em>: ABREU, M.; XAVIER, G.; MONTEIRO, L.; BRASIL, E. <strong>Cultura negra</strong>. Novos desafios para os historiadores. Vol.1 Niterói: Eduff, 2018.</p> <p>ACSERALDI, Maria. O Caboclinho como afeto: a presença indígena nas danças populares e tradicionais brasileiras. <strong>Revista Hawò</strong>, v.1, 2020.</p> <p>BRASILEIRO, Jeremias. <strong>Sincretismo religioso não. Coexistência religiosa e ancestral sim.</strong> Uberlândia, Subsolo, 2023.</p> <p>MARTINS, C.; MONTEIRO, Lívia Nascimento. Pelo direito de festejar: o encontro entre os Bumba Meu Boi, as Congadas de Minas e os patrimônios culturais afro-brasileiros. <strong>Patrimônio e Memória.</strong> (UNESP), v. 18, 2022.</p> <p>MATTOS, Hebe; ABREU, M. Remanescentes das comunidades dos quilombos: memória do cativeiro, patrimônio cultural e direito à reparação. <strong>Revista Habitus</strong>, Goiania, 2009.</p> <p>OLIVA, Anderson Ribeiro; CONCEIÇÃO, Maria T. A construção de epistemologias insubmissas e os caminhos possíveis para uma educação antirracista e anticolonial: reflexões sobre os 20 anos da Lei 10.639/2003. <strong>Revista História Hoje</strong>. São Paulo, v. 12, nº 25 2023.</p> <p>PEREIRA, Amilcar Araujo. “Por uma autêntica democracia racial!”: os movimentos negros nas escolas e nos currículos de história. <strong>Revista História Hoje</strong>, v. 1, nº 1, 2012</p> <p> </p> <p><strong>PROPONENTES</strong></p> <p><strong>Carolina Martins</strong><br>Doutora em História pela UFF, professora adjunta na Universidade Federal do Maranhão - Campus Pinheiro e professora permanente do Programa de Pós-graduação em Cultura e Sociedade - PGCULT/UFMA. Participa do GT Emancipações e Pós-abolição da ANPUH, coordena o GPPeri/UFMA - Grupo de Pesquisa Memória e História Social na Amazônia Maranhense e é membro do GPMINA/UFMA - Grupo de Pesquisa Religião e Cultura Popular. <br>ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3572-4773 <br>Lattes: https://lattes.cnpq.br/5466532892615835</p> <p><strong>Lívia Nascimento Monteiro</strong><br>Doutora em História pela UFF, professora adjunta na UNIFAL-MG (Universidade Federal de Alfenas) e professora colaboradora do Programa de Mestrado Profissional em Ensino de História (ProfHistória - UFF). Participa do GT Emancipações e Pós-Abolição da Anpuh e do grupo de pesquisa “Emancipações e pós-Abolição em Minas Gerais. <br>ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4113-6521 <br>Lattes: http://lattes.cnpq.br/0668067809335427</p>2026-01-06T18:34:14-03:00https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/rbhr/announcement/view/456Chamada Temática Nº 54 - AS EXPERIÊNCIAS DO CATOLICISMO NO CONTINENTE AMERICANO NO LONGO SÉCULO XIX E A MODERNIDADE NA IGREJA CATÓLICA2024-12-13T10:29:27-03:00Revista Brasileira de História das Religiões<p><strong> AS EXPERIÊNCIAS DO CATOLICISMO NO CONTINENTE AMERICANO NO LONGO SÉCULO XIX E A MODERNIDADE NA IGREJA CATÓLICA</strong></p> <p> </p> <p>Esta Chamada Temática, organizada pela Rede de historiadores da Igreja Católica no continente americano no longo século XIX, tem como objetivo agregar pesquisas sobre o catolicismo no continente americano durante o longo século XIX (1780-1930). Buscamos compreender o desenvolvimento de uma modernidade católica, convivendo em tensão com as demais existentes naquele período (liberalismo, positivismo, comunismo, etc.), a partir das experiências do catolicismo nas Américas. Para além da perspectiva de que a ação da Igreja Católica seria uma simples reação contra a modernidade, entendemos que, em diferentes contextos, os católicos construíram diferentes relações com ela, o que levou a uma superação da aparente dicotomia. Isso aconteceu enquanto eles começaram a se integrar ou a resistir à autoridade pontifícia e da Santa Sé, que culminou na superação dos projetos de “igrejas nacionais”.</p> <p>No continente americano, isso coincidiu com os processos de independência e consolidação dos Estados nacionais, onde, além das formas de governo adotadas (monarquia constitucional, repúblicas, federações, confederações), Estado e Igreja experimentaram diferentes formas de relação, desde a separação e independência recíproca (como nos Estados Unidos e, posteriormente, no México ou na Colômbia) até diferentes fórmulas de vínculo jurídico entre catolicismo e Estado, como na maioria das ex-colônias da Espanha e Portugal. Neste longo século XIX, o catolicismo na América passou por tensões e conflitos entre as diferentes perspectivas que coexistiram: liberalismo católico, ultramontanismo, romanização, regalismo, catolicismo "leigo"/"popular". Também neste contexto, a representação pontifícia foi estabelecida nas diversas regiões do continente, através das nunciaturas e dos representantes pontifícios, que às vezes deram origem a concordatas entre os países americanos e a Santa Sé.</p> <p>Em um exercício de reflexão sobre o catolicismo contemporâneo a partir de diferentes centros de divulgação, propomos analisar a contribuição americana, a partir de uma perspectiva conectada, atentando não apenas para as singularidades, mas também para os processos regionais e globais que envolvem uma multiplicidade de atores e uma pluralidade de interesses dentro e fora da Igreja, em um jogo de escalas de observação. Nessa perspectiva, o ultramontanismo no continente seria não apenas uma "romanização" da Igreja latino-americana, mas também uma contribuição americana (no sentido continental, vale ressaltar) para a Igreja Católica contemporânea, em uma complexa trama que envolve a circulação de pessoas, ideias, instituições, culturas e múltiplos centros de difusão.</p> <p> </p> <p><strong>LAS EXPERIENCIAS DEL CATOLICISMO EN LAS AMÉRICAS EN EL LARGO SIGLO XIX Y LA MODERNIDAD EN LA IGLESIA CATÓLICA</strong></p> <p> </p> <p>Este dossier, organizado por la Red de historiadores de la Iglesia Católica americana en el largo siglo XIX, tiene como objetivo publicar investigaciones sobre el catolicismo en el continente americano durante el largo siglo XIX (1780-1930). Se busca comprender el desarrollo de una modernidad católica, coexistiendo en tensión con otras corrientes de la época (liberalismo, positivismo, comunismo, entre otras), a partir de las experiencias del catolicismo en las Américas. En lugar de considerar la acción de la Iglesia Católica una simple reacción contra la modernidad, se entiende que, en diferentes contextos, los católicos han construido diversas relaciones con ella, superando así una falsa dicotomía.</p> <p>En el continente americano, esto coincidió con los procesos de independencia y consolidación de los Estados nacionales, donde, además de las formas de gobierno adoptadas (monarquía constitucional, repúblicas, federaciones, confederaciones), Estado e Iglesia experimentaron diferentes formas de relación, desde la separación e independencia recíproca (como en Estados Unidos y, posteriormente, en México o Colombia) hasta diversas fórmulas de vinculación jurídica entre catolicismo y Estado, como sucedió en la mayoría de las antiguas colonias de España y Portugal. La transformación del catolicismo a escala mundial no fue ajena a estas salidas, puesto que los procesos de integración o resistencia a una autoridad pontificia que buscaba reforzar su poder universal a medida que perdía su soberanía territorial llevó a la consolidación de Iglesias católicas nacionales, siempre vinculadas a la Sede Apostólica. Durante este largo siglo XIX, el catolicismo en América enfrentó tensiones y conflictos entre las diferentes perspectivas coexistentes: liberalismo católico, ultramontanismo, romanización, regalismo, catolicismo "laico"/"popular".</p> <p>Desde esta perspectiva, serán bienvenidas las contribuciones que ayuden a analizar las novedades que experimentó el universo católico en el continente, no sólo como una consecuencia de transformaciones iniciadas en el centro europeo, sino también como un aporte americano (en el sentido continental) a la Iglesia Católica contemporánea, en una compleja trama que involucra la circulación de personas, ideas, instituciones, culturas y múltiples centros de difusión.</p> <p> </p> <p><strong>BIBLIOGRAFIA</strong></p> <p>AYALA, Elisa Cárdenas. Roma: el descubrimiento de América. México: El Colégio de México, 2018.</p> <p>AYROLO, Valentina; OLIVEIRA, Anderson Machado de. Historia de clérigos y religiosas en las Américas. Buenos Aires: Teseo, 2016.</p> <p>CONNAUGHTON, Brian. Entre la voz de Dios y el llamado de la patria: religión, identidad y ciudadanía en México, siglo XIX. México: Universidad Autónoma Metropolitana, Fondo De Cultura Económica, 2010.</p> <p>DI STEFANO, Roberto; ZANCA José. Pasiones anticlericales. Un recorrido iberoamericano. Bernal: Universidad Nacional de Quilmes, 2013.</p> <p>GARCÍA, Cecilia Adriana Bautista. Las disyuntivas del Estado y de la Iglesia en la consolidación del orden liberal, México, 1856-1910. México: Colegio de México, 2012.</p> <p>MARTÍNEZ, Ignacio. Una nación para la iglesia argentina. Construcción del estado y jurisdicciones eclesiásticas en el siglo XIX. Buenos Aires: Academia Nacional de la Historia, 2013.</p> <p>MORALES, José Aurelio Sandí. La Santa Sede en Costa Rica 1880-1936: El proceso de romanización en Costa Rica y el rol geopolítico del país en la diplomacia de la Curia romana en América Central. Costa Rica: Publicaciones UNA-SEBILA, 2014.</p> <p>RUIZ, Rolando Ibérico. La república católica dividida: ultramontanos y liberales realistas (Lima, 1855-1960). Perú: Publicaciones del instituto Riva-Agüero, 2016.</p> <p>SANTIROCCHI, Ítalo Domingos. Questão de Consciência: os ultramontanos no Brasil e o regalismo do Segundo Reinado (1840-1889). EDUFMA: São Luís, 2015.</p> <p>SERRANO, Sol. ¿Qué hacer con Dios en la República? Política y secularización en Chile (1845-1885). Chile: Fondo de Cultura Económica, 2009.</p> <p>SILVA, Ana Rosa Cloclet da; DI STEFANO, Roberto. Catolicismos en perspectiva histórica: Argentina y Brasil en diálogo. Buenos Aires: Teseo, 2020.</p> <p>SOLANS, Francisco Javier Ramón. Más allá de los Andes: los orígenes ultramontanos de una iglesia latinoamericana (1851-1910). Bilbao: Universidad del País Vasco, 2020.</p> <p> </p> <p><strong>ORGANIZAÇÃO</strong></p> <p><strong>Ignacio Martínez</strong></p> <p>Ignacio Martínez é professor e licenciado em História pela Universidade Nacional de Rosário e doutor em História pela Universidade de Buenos Aires. Atua como professor titular de História Argentina I, na faculdade de História da Universidade Nacional de Rosário. É Pesquisador Independente do CONICET (Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Tecnológicas). É membro da Comissão Acadêmica do Doutorado em História da UNR. É membro da Rede de Estudos sobre a História da Secularização e do Secularismo (REdHiSeL). Ele faz parte do Observatório de Culturas Religiosas da UNR. Entre suas publicações está o livro <em>Uma Nação para a Igreja Argentina</em>. <em>Construção do Estado e Jurisdições Eclesiásticas no Século XIX, </em>publicado pela Academia Nacional de História. Seus trabalhos em revistas científicas e obras coletivas tratam das relações entre o poder político e religioso, as reformas ultramontanas na Igreja argentina durante o século XIX e o trabalho da diplomacia romana nos países da América do Sul.</p> <p> </p> <p><strong>Ítalo Domingos Santirocchi</strong></p> <p>Pesquisador e professor dos cursos de graduação e pós-graduação em História da Universidade Federal do Maranhão. Pós-doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em História da UNIRIO. Pós-Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Doutor em História pela Pontifícia Universidade Gregoriana. Licenciado em História Moderna e Contemporânea pela Pontifícia Universidade Gregoriana. É formado em História pela Universidade Federal de Minas Gerais. Membro dos Grupos de Investigação: REHCULT - História, Religião e Cultura Material e ECCLESIA - Grupo de Estudos sobre a História do Catolicismo. Atualmente é Coordenador Adjunto do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Maranhão. É autor do livro: <em>Questão de consciência: os ultramontanos no Brasil e o regalismo do Segundo Reinado (1840-1889)</em>, 2015, e coautor dos seguintes livros: <em>Doze capítulos sobre escravizar pessoas e governar escravos: Brasil e Angola - sequências XVII-XIX</em>, 2017; <em>RELIGIÕES E RELIGIOSIDADES NO BRASIL: História, Historiografia e Ensino</em>, 2018; <em>A independência do Brasil em perspectiva mundial, 2022</em>, e organizadora da coletânea de textos: <em>PASSÁVAMOS LIGEIROS SOBRE AS ÁGUAS: História Social da Baixada Maranhense Oitocentista</em>, 2023. Santirocchi também é autor de diversos artigos científicos e capítulos de livros no Brasil e no exterior.</p> <p> </p> <p><strong>José Aurelio Sandí Morales</strong></p> <p>Bacharel em História 2005, Mestre em História com ênfase em Poder e Controle Social 2009, ambos pela Universidade Nacional, Heredia, Costa Rica e Doutor em História pela Scuola Normale Superiore, Pisa, Itália, 2017. Seus campos de pesquisa foram: história política, do poder e do controle social, a relação entre o Estado e a Igreja, bem como a formação dos Estados-Nação, entre os anos 1750-1940. Foi Menção Honrosa no Prêmio de Pesquisa Cultural Luis Ferrero Acosta no Prêmio Nações de Cultura da Costa Rica, 2022, por seu trabalho relacionado à independência do Antigo Reino da Guatemala. Entre suas publicações estão os livros "<em>Estado e Igreja Católica na Costa Rica 1850-1920; nos processos de controle do espaço geográfico e na criação de um modelo de costarriquenho" </em>(2012), o co-editado com Sajid Herrera intitulado "<em>A opinião de um povo não é conquistada. Independência, Estado e Nação na América Hispânica</em>". E artigos como: "<em>Leis anticlericais na Costa Rica, 1884</em>" em: Enciclopédia das Religiões Latino-Americanas. Springer (2018) e "<em>A Romanização dos Sacerdotes e Fiéis da Costa Rica entre 1880-1939</em>" em: Rivista Storia del Cristianesimo, Itália 2021 e o artigo intitulado: <em>"</em><em>O Comportamento Político-Eleitoral do Clero Católico na Costa Rica: Um Exemplo de Legitimidade e Apoio ao "Status Quo" 1921-1936",</em> no Journal of History, Costa Rica 2021. Atualmente é acadêmico da Escola de História da Universidade Nacional da Costa Rica e seu contato é: <a href="mailto:jose.sandi.morales@una.cr">jose.sandi.morales@una.cr</a></p>2024-12-13T10:29:27-03:00https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/rbhr/announcement/view/455Chamada Temática Nº 53 - VISÕES, APARIÇÕES E CULTOS MARIANOS NO PERÍODO CONTEMPORÂNEO2024-12-11T22:46:35-03:00Revista Brasileira de História das Religiões<p><strong>VISÕES, APARIÇÕES E CULTOS MARIANOS NO PERÍODO CONTEMPORÂNEO</strong></p> <p>As investigações em torno das visões, aparições e devoções marianas têm sido realizadas por profissionais das diferentes áreas do conhecimento. Desde os relatos sobre Lourdes, na França a partir de 1858, os eventos passaram a atender uma lógica com mensagens apocalípticas, a relação do político com o religioso e o fortalecimento de projetos que tinham o objetivo de fortalecer as propostas da Igreja Católica e colaborar com a formação de uma neocristandade.</p> <p>Paolo Apolito destacou que “[…] o que torna Nossa Senhora visível é o contexto. E é esta obra do homem que define a aparição, que se dirige a investigação [...]” (Apolito, 1990, p. 33). Com isso, este dossiê tem o objetivo de reunir contribuições a partir das diferentes propostas teóricas e metodológicas, com problematizações acadêmicas sobre as visões, aparições e suas formas de devoção na contemporaneidade. As discussões podem adotar recortes geográficos diversos, com a valorização dos debates transnacionais, com o objetivo de compreender as especificidades de cada narrativa sobre os acontecimentos eclesiásticos.</p> <p>Dentre algumas temáticas de interesse, enfatizam-se as análises documentais sobre as visões e aparições, as discussões em torno da legislação canônica, as representações imagéticas, as questões de gênero, os usos políticos, a atuação dos intelectuais leigos e católicos, dentre outras temáticas. Os organizadores do dossiê também têm o objetivo de reunir trabalhos que estejam atentos às histórias conectadas, que buscam compreender as manifestações marianas em redes internacionais a partir da segunda metade do século XIX (Moura, 2023).</p> <p> </p> <p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p> <p>Apolito, Paolo. <strong>“Dice che hanno visto la Madonna”.</strong> Un caso di apparizioni in Campania. Bologna: Il Mulino, 1990.</p> <p>Harris, Ruth. Lourdes. <strong>Body and spirit in the secular age.</strong> London: Penguin Books, 1999.</p> <p>Maunder, Chris. <strong>Our Lady of the Nations.</strong> Apparitions of Mary in Twentieth-Century Catholic Europe. New York: Oxford University Press, 2016.</p> <p>Moura, Carlos André Silva de. Aparições e Devoções Marianas: a formação de uma cultura visionária em Portugal e seus usos no projeto de Restauração Católica (1917-1950). <strong>Tempo e argumento</strong>, Florianópolis, v. 14, p. 01-28, 2022. </p> <p>Moura, Carlos André Silva de. <strong>“Não tenhas medo, eu sou a Graça”:</strong> a invenção de uma cultura visionária mariana em Portugal e Brasil (1900-1936). Rio de Janeiro: Autografia, 2023.</p> <p>Odell, Catherine M. <strong>Those Who Saw Her:</strong> Apparitions of Mary. Huntington: Our Sunday Visitor, 2010.</p> <p>Reesink, Mísia Lins. Para uma antropologia do milagre: Nossa Senhora, seus devotos e o Regime de Milagre. <strong>Caderno CRH</strong>, Salvador, p. 267-280, vol. 18, nº44, mai.-ago., 2005. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/crh/article/view/18527.</p> <p>Soormally, Mina García. The Image of a Miracle: the Virgin of Guadalupe and the context of the apparitions. <strong>Chasqui:</strong> Revista de Literatura Latinoamericana, Arizona, p. 175-190, vol. 44, nº. 02, nov. 2015. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/24810768.</p> <p>Steil, Carlos Alberto; Mariz, Cecília Loreto; Alves, Daniel Alves [<em>et al.</em>]. (Org.). <strong>Maria entre os vivos:</strong> reflexões teóricas e etnografias sobre aparições marianas no Brasil. Porto Alegre : Editora da UFRGS, 2003.</p> <p>Torgal, Luís Felipe. <strong>O Sol Bailou ao Meio-dia:</strong> a criação de Fátima. Lisboa: Tinta-da-China, 2011.</p> <p>Turner, Victor; Turner, Edith. Postindustrial Marian Pilgrimage. In. Preston, James. (Org.). <strong>Mother Worship</strong>: themes and Variations. Chapel Hill: University of North Carolina Press, 1982.</p> <p> </p> <p><strong>ORGANIZAÇÃO</strong></p> <p><strong>Prof. Dr. Carlos André Silva de Moura</strong><br>Universidade de Pernambuco - Brasil<br>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0002-5584-1398">https://orcid.org/0000-0002-5584-1398</a><br>CURRÍCULO LATTES: <a href="http://lattes.cnpq.br/7326008990043247">http://lattes.cnpq.br/7326008990043247</a></p> <p><strong>Profa. Dra. Verónica Roldán</strong><br>Università Niccolò Cusano - Italia<br>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0002-5375-9761">https://orcid.org/0000-0002-5375-9761</a></p>2024-12-11T22:46:35-03:00https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/rbhr/announcement/view/453Chamada Temática Nº 52 - ÁFRICA CRISTÃ: 2000 ANOS DE HISTÓRIA2024-12-03T17:39:16-03:00Revista Brasileira de História das Religiões<p><strong>ÁFRICA CRISTÃ: 2000 ANOS DE HISTÓRIA</strong></p> <p>A proposta deste dossiê é reunir artigos produzidos por pesquisadores que têm se dedicado a compreender a historicidade, teologias, cosmovisões e representações culturais dos cristianismos africanos e o impacto do conhecimento ou desconhecimento dessa pluralidade de saberes do cristianismo na historiografia e cultura política e religiosa brasileira.</p> <p>Assim, faz-se necessária a divulgação e atualização dos estudos sobre cristianismos africanos, tendo em vista que, ao longo da história da historiografia das religiões, o foco tem permanecido em privilegiar o cristianismo eurocentrado, ignorando ou desprezando a riqueza cultural das manifestações cristãs milenares africanas. Neste sentido, deve ser destacado, por exemplo, o fato de que, no decorrer da Modernidade, marcada política, social e economicamente pelo sistema escravista com o infame comércio transatlântico de africanos cativos, engendrado por diversos países europeus, há o exemplo notável da Etiópia, um território com uma tradição cristã, que remonta pelo menos ao século IV, que resistiu às tentativas de colonização europeia.</p> <p>Dessa forma, entende-se que diante da necessidade de combate aos resquícios da cultura racista e escravista brasileira e no sentido de apresentar um contraponto à ideia unilateral de conquista do cristianismo europeu sobre a África e o consequente apagamento da pluralidade religiosa cristã africana, esta proposta está aberta a receber contribuições interdisciplinares sobre a História da África Cristã e suas implicações sobre a historiografia dos cristianismos no Brasil.</p> <p> </p> <p><strong>BIBLIOGRAFIA</strong></p> <p>AHALIGAH, A. K. Early African Christianity: a thematic analysis. <em>E-Journal of Religious and Theological Studies (ERATS)</em>, v. 6, n. 5, p. 264–273, 2020.</p> <p>BASTIDE, Roger. <em>As Américas Negras</em>. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1994.</p> <p>_____. <em>As Religiões Africanas no Brasil</em>. São Paulo: Editora da USP, 1971.</p> <p>BAUR, John. <em>2000 Years of Christianity in Africa</em>: an African Church history. Nairobi: Paulines Publications Africa, 2009.</p> <p>BEDIAKO, Kwame. Africa and Christian Identity: recovering an ancient story. <em>The Princeton Seminary Bulletin</em>, v. 25, n. 2, p. 153-161, 2004. Disponível em: <https://ia800509.us.archive.org/14/items/princetonseminar2522prin/princetonseminar2522prin.pdf>.</p> <p>DEWULF, Jeroen. <em>Nova História do Cristianismo Negro na África Ocidental e nas Américas</em>. Porto Alegre: EdiPUCRS, 2024.</p> <p>EASTMAN, David L. <em>Cristianismo Primitivo no Norte da África</em>. Editora Pro Nobis, 2023.</p> <p>IHEANACHO, Valentine U. The Significance of African Oral Tradition in the Making of African Christianity Read.<em> HTS Theological Studies</em>, v. 77, n. 2, 2021. Disponível em: <https://hts.org.za/index.php/hts/article/view/6819/19979>.</p> <p>IRVIN, Dale T.; SUNQUIST, Scott. <em>História do Movimento Cristão Mundial</em>,<em> v. 1: </em>do cristianismo primitivo a 1453. São Paulo: Paulus, 2004.</p> <p>_____. <em>História do Movimento Cristão Mundial</em>,<em> v. 2: </em>o cristianismo moderno de 1454 a 1800. São Paulo: Paulus, 2015.</p> <p>ISICHEI, Elizabeth. <em>A History of Christianity in Africa: </em>from antiquity to the present. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1995.</p> <p>KALU, Ogbu (ed.). <em>African Christianity: </em>an african story. Pretoria: University of Pretoria, 2005. </p> <p>ODEN, Thomas C. <em>Quão africano é o cristianismo?</em> São Paulo: Quitanda, 2022.</p> <p>OLUPONA, Jacob K. <em>Religiões Africanas</em>. Petrópolis: Vozes, 2023.</p> <p>SOARES, Mariza de Carvalho. <em>Diálogos Makii de Francisco Alves de Souza</em>: Manuscrito de uma congregação católica de africanos Mina, 1786. São Paulo: Chão Editora, 2019.</p> <p>SUNDKLER, Bengt; STEED, Christopher. <em>A History of the Church in Africa</em>. Cambridge University Press, 2000.</p> <p>TERRA, João Evangelista Martins. <em>Catequese de índios e negros no Brasil colonial</em>. Aparecida, Editora Santuário, 2000.</p> <p>VIEIRA, Dilermando Ramos. <em>A Virgem Maria na Realidade Afro-brasileira</em>. Aparecida: Editora Santuário, 2021.</p> <p> </p> <p><strong>ORGANIZAÇÃO</strong></p> <p><strong>Pedro Henrique Cavalcante de Medeiros</strong><br>Possui graduação, mestrado e doutorado em História pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), e graduação em Teologia pela Faculdade de Ciência e Tecnologia das Assembleias de Deus (FAECAD). Professor do curso de graduação em História da Faculdade Batista do Rio de Janeiro (FABAT), do curso de pósgraduação em Teologia do Novo Testamento da Faculdade de Ciências, Educação e Teologia do Norte do Brasil (FACETEN), e no curso de formação teológica do IBADEJA/RJ. Pesquisador do Laboratório de Estudos dos Protestantismos da UFRRJ (LABEP/CNPq) e do Núcleo de Estudos de Cristianismo e África da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ – NECRAF/CNPq). Atua no campo da História dos Protestantismos com ênfase em imprensa, missões protestantes, presbiterianismo, relações entre política e religião, temporalidades, escravidão e abolicionismo. <br>Currículo Lattes: <a href="http://lattes.cnpq.br/1419821329763725">http://lattes.cnpq.br/1419821329763725</a></p> <p><strong>Patrícia Costa Pereira da Silva<br></strong>É graduada em Pedagogia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), graduada em Comunicação Institucional pela Universidade Estácio de Sá, especialista em Direito Educacional pelo Instituto de Pesquisas Avançadas em Educação (IPAE), Mestre em Educação pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e Doutora em Educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Realizou doutorado-sanduíche na Ohio University com bolsa Capes, sob supervisão da Professora Doutora Renee Middleton. Também realizou, sem bolsa, pós-doutoramento em Sociologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob supervisão da Professora Felícia Picanço, em que desenvolveu pesquisa sobre a evasão escolar entre meninos negros. É autora dos livros "Mulheres que o feminismo não vê - Classe e Raça”, “Corrupção da linguagem, corrupção do caráter”, “O que não te contaram sobre o movimento antirracista” e “O mínimo sobre racismo no Brasil”. Atualmente, é Pedagoga da Coordenação de Extensão do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Coordena o Núcleo de Estudos sobre Cristianismo e África (NECRAF). Interessa-se pelo estudo das relações raciais e das influências africanas no Cristianismo.<br>Currículo Lattes: <a href="http://lattes.cnpq.br/5459523893347863">http://lattes.cnpq.br/5459523893347863</a></p>2024-12-03T17:39:16-03:00https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/rbhr/announcement/view/415PRORROGAÇÃO DO PRAZO PARA ENVIO DE ARTIGOS Edição Nº 51 - Revista Brasileira de História das Religiões2024-09-10T14:20:02-03:00Revista Brasileira de História das Religiões2024-09-10T14:20:02-03:00https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/rbhr/announcement/view/402Chamada Temática nº 51 - FUNDAMENTALISMOS RELIGIOSOS ONTEM E HOJE2024-07-02T11:12:30-03:00Revista Brasileira de História das Religiões<p>Em finais do XIX, autores como Max Weber (2015) apontavam para o chamado <em>desencantamento do mundo</em>, isto é, um processo longo que seria responsável em substituir a manipulação do mundo pelas forças sobrenaturais por uma racionalização cada vez mais acentuada. Contudo, a despeito das previsões do sociólogo alemão, o que se constata no século XX é o exato oposto, isto é, a presença cada vez maior de grupos que, em nome da sua religião, reivindicam espaço e ações no espaço público e político. Tal quadro é apresentado por Armstrong (2009, p.9) como a manifestação do fundamentalismo.</p> <p>Segundo a autora (ARMSTRONG, 2009, p.9) uma característica desses movimentos é uma suposta aversão aos valores mais básicos da sociedade moderna, qual sejam: “democracia, pluralismo, tolerância religiosa, paz internacional, liberdade de expressão, separação entre Igreja e Estado (...)” (ARMSTRONG, 2009, p.9). Nesse sentido, um traço característico entre os diferentes grupos religiosos passivos de serem caracterizados como fundamentalistas, seria a inserção do sagrado no campo da política. A despeito desta recusa à modernidade, os fundamentalistas podem ser enquadrados como produtos desta mesma sociedade, pois é segundo os critérios e mecanismo da modernidade que operam (DE MARIA; CHEVITARESE, s/p).</p> <p>Outro ponto de análise, seguindo as propostas teóricas de Manuel Castells (2013), seria a oferta da produção de identidade oferecida pela religião num período histórico onde valores tidos como fixos se tornam cada vez mais dispersos e descaracterizado, atingindo a sociedade, especialmente os discursos religiosos. Bauman (2000) aponta o surgimento de uma “modernidade líquida” onde laços outrora tidos como fixos, se esboroam em contato com a modernidade, sendo a religião um desses laços portadores de sentido. O suposto “retorno aos fundamentos” ou um “retorno à tradição” prometidos pelos fundamentalismos se tornam cada vez mais comuns e atraentes tanto em sociedades ocidentais como em países do Oriente.</p> <p>O Tradicionalismo católico, o Salafismo islâmico e os movimentos radicais cristãos são apenas alguns exemplos da multiplicidade de discursos que negam a modernidade, e, ao mesmo tempo, dela se utilizam para alcançarem as massas através de ferramentas digitais modernas. Para Mark Sedgwick (2023, p.19), trata-se da busca de uma reordenação sagrada do mundo decadente e pautado por valores morais inaceitáveis.</p> <p>Os diferentes fundamentalismos, a despeito de quão afastados estejam das práticas religiosas e culturais da modernidade, seguem atraindo mais adeptos, o que os torna atores sociais significativos. Atualmente o campo de estudo dos fundamentalismos ainda é pouco explorado por estudiosos acadêmicos no Brasil, o que faz necessário o debate e as tentativas de compreensão por estudiosos do tema.</p> <p>Assim, a presente chamada de dossiê temático tem por objetivo reunir pesquisas que proponham contribuições inovadoras para a reflexão sobre sore os mais diversos tipos de fundamentalismos a partir de suas manifestações, histórica, sociológica, política, cultural, intelectual, psicanalítica, teológica etc. Assim, o dossiê pretende reunir estudos que apontem debates, reflexões e análises por meio da compreensão de acontecimentos, fenômenos, autores ou grupos documentais que contemplem questões acerca dos fundamentalismos religiosos.</p> <p><strong>Organizadores:</strong></p> <p><strong>Ronald Apolinario de Lira</strong>, graduado em História, mestre e doutor em Ciências Sociais é docente do departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História (PPHR) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, produzindo pesquisas sobre o tradicionalismo católico.</p> <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0002-4625-049X">https://orcid.org/0000-0002-4625-049X</a>. </p> <p> </p> <p><strong>João Guilherme Lisbôa Rangel, </strong>graduado, mestre e doutor em História pelo Programa de Pós-Graduação em História (PPHR) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Professor da rede municipal de Maricá e pesquisador do Laboratório de Estudos dos Protestantismos (LABEP). Pesquisa temas ligados ao fundamentalismo católico, santidade e reformas religiosas no século XVI.</p> <p>ORCID: <a href="http://orcid.org/0000-0002-8743-659X">http://orcid.org/0000-0002-8743-659X</a></p>2024-07-02T11:12:30-03:00https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/rbhr/announcement/view/397PRORROGAÇÃO DO PRAZO PARA ENVIO DE ARTIGOS PARA 24 DE JUNHO2024-06-11T10:43:41-03:00Revista Brasileira de História das Religiões2024-06-11T10:43:41-03:00