https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/issue/feed Cadernos de Pesquisa 2024-06-30T20:08:35-03:00 Francisca Lima/Iran de Maria Nunes/César Castro/Samuel Luis Velázquez Castellanos cadernosdepesquisa@ufma.br Open Journal Systems <p>Publicação do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFMA</p> <p>Missão: é uma publicação trimestral do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e tem por objetivo a divulgação de trabalhos científicos originais, inéditos, multi/interdisciplinares, desde que sejam voltados para área de Educação, produzidos/as por pesquisadores desta Universidade e de outras instituições congêneres, nacionais e internacionais, a fim de possibilitar o intercâmbio científico e institucional.</p> <p>ISSN 2178-2229</p> <p>Periodicidade: Trimestral </p> <p><strong>Qualis/CAPES (2017-2020): A3 </strong></p> https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/23535 Etnografia na Educação 2024-05-08T16:19:33-03:00 Carmen Lúcia Guimarães de Mattos clgmattos@gmail.com <p>Etnografia na educação: metodologias e epistemologias é o tema desse dossiê da revista Cadernos de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Maranhão. O objeto deste conjunto de artigos é a discussão sobre as tensões entre método e epistemologia&nbsp; na pesquisa etnográfica. Abordagens em constante crise de legitimidade no campo da educação, a etnografia tem sido largamente utilizada como metodologia em diferentes campos do conhecimento. Cada vez mais explorada na Educação o tema precisa ser compreendido de modo mais claro por pesquisadores e estudiosos da área. O dossiê, portanto, enfrenta &nbsp;esse desafio trazendo à luz do conhecimento acadêmico um conjunto de 10 trabalhos originários de pesquisa que se dispõem a conceituar, analisar&nbsp; e descrever diferentes faces da etnografia mediada pela interconexão dessas duas dimensões que, em princípio são tomadas como antagônicas, mas que são faces da mesma moeda. O conjunto de artigos apresentados&nbsp; caminham entre nuances temáticas pertinente à etnográfica clássica como o campo de pesquisa e a entrevista etnográfica até temas atuais e controversos como a Netenografia, envolta por subtemas como inteligência artificial. Os autores são ex-membros do Núcleo de Etnografia em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e alguns dos &nbsp;proeminentes consultores internacionais associados a este grupo. Com este dossiê se espera que o leitor se aprofunde nos temas e renove seu interesse nos mesmos de modo inovador e criativo.</p> 2024-06-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2024 Cadernos de Pesquisa https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/23818 Reimaginando etnografias 2024-06-19T16:28:13-03:00 Carmen Lúcia Guimarães de Mattos clgmattos@gmail.com Frederick Erickson ferickson@gseis.ucla.edu <p>O artigo é um ensaio teórico-metodológico que examina, a etnografia e a videoetnografia a partir das perspectivas de AUTOR e AUTOR. São etnógrafos que realizam suas pesquisas em ambientes educacionais usando vídeo e microanálise. A fala de &nbsp;AUTOR é incluída em primeiro lugar, com os objetivos de revisar aspectos fundamentais da pesquisa etnográfica em educação, descrever brevemente a história da etnografia, discutir a crise de confiança na etnografia tradicional e apresentar três abordagens etnográficas: professor-pesquisador, pesquisa-ação participativa e etnografia performativa. AUTOR prossegue ampliando os argumentos do autor e discutindo o uso do vídeo na etnografia, na tentativa de abordar a questão: como o uso do vídeo em sala de aula pode ampliar as possibilidades analíticas sobre as interações vistas no espaço escolar? De que forma as gravações em vídeo foram utilizadas e quais os limites e possibilidades para o seu uso? E, de que modo as vinhetas etnográficas, a partir de imagens de vídeo, contribuem para significar o trabalho de campo e impactar a reflexividade do pesquisador? Considerados pioneiros no uso de imagens vídeo em pesquisas de sala de aulas, os autores se complementam e desafiam o leitor a reimaginar etnografias como projetos inconclusos e com potencial para vir a ser no futuro, não somente impulsionando as práticas escolares, em especial em sala de aula, com para informar e modificar as políticas públicas em educação</p> 2024-06-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2024 https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/23695 O trabalho de campo na etnografia 2024-06-06T19:05:27-03:00 Luis Paulo Cruz Borges clgmattos@gmail.com Sandra Maciel de Almeida clgmattos@gmail.com Suziane de Santana Vasconcellos clgmattos@gmail.com <p>O processo de escrita de um texto etnográfico, ainda, é um desafio à pesquisa educacional. Clifford Geertz, “Obras e vidas: o antropólogo como autor”, nos leva a refletir sobre os processos de autoria pautados na antropologia moderna relacionando múltiplas dimensões do trabalho de campo. O presente artigo objetiva refletir sobre a descrição densa e as entrevistas etnográficas como formas de emergir as teorizações que produzimos a partir da empiria. Partimos do trabalho de Três pesquisas etnográficas, em tempos distintos, em nível de doutoramento no campo da Educação. Elas tratam de sujeitos que, muitas vezes, não são ouvidos: estudantes de ensino fundamental e médio de escolas públicas e mulheres privadas de liberdade. As questões propostas são: O que é o trabalho de campo etnográfico? Qual reflexividade emerge da escrita etnográfica? O campo é o cenário da escrita etnográfica em Educação? Em etnografia o pesquisador usa dois meios de coleta de dados: observar e perguntar. O que as ações das pessoas significam para elas pode ser aparente a partir da observação, no entanto, é necessário perguntar, buscando estabelecer uma relação não hierárquica e de respeito à fala do outro. Importante enfatizar, que, as análises são permeadas por uma miríade de olhares, vozes e sentidos para a produção de conhecimento. Optamos pela escuta atenta de pessoas em situação de exclusão aos quais tem sido negado o direito à palavra, pois não se faz pesquisa, nem política pública, nem educação, sem o sujeito para a qual essas ações se dirijam.</p> 2024-06-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2024 Cadernos de Pesquisa https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/23774 Autoetnografia 2024-06-11T21:37:36-03:00 Carmen Lúcia Guimarães de Mattos clgmattos@gmail.com Santos Alessandra dos clgmattos@gmail.com Valentina Grion valentina.grion@unipd.it <div class="page" title="Page 1"> <div class="layoutArea"> <div class="column"> <p><span style="font-size: 10.000000pt; font-family: 'TimesNewRomanPSMT';">A autoetnografia associada às pesquisas etnográficas desponta na literatura com as pesquisas de Ellis e Bochner a partir de 1999 e nela, ganha espaço como uma alternativa às etnografias que abordam: histórias e vida, relato de si mesmo e as formas como o pesquisador/a tenta se inserir enquanto sujeito de fala na narrativa etnográfica. As questões orientadoras são: O que é autoetnografia? Como o termo tem sido conceituado e quais as categorias a ele associadas? Quais os autores mais citados nesses estudos e como eles explicam autoetnografia? Os objetivos desse artigo são: explorar o conceito de autoetnografia, identificar linhas metodológico- epistemológicas que orientaram as pesquisas analisadas e traçar um perfil conceitual das categorias associadas ao termo. A metodologia utilizada foi a revisão bibliográfica sistemática (RBS-Roadmap) e o </span><span style="font-size: 10.000000pt; font-family: 'TimesNewRomanPS'; font-style: italic;">software Atlas.ti23 </span><span style="font-size: 10.000000pt; font-family: 'TimesNewRomanPSMT';">para as análise e derivação de resultados a partir de 2.200 artigos em língua inglesa. Desses foram selecionados 286 artigos que usavam o termo autoetnografia no título. Como resultados preliminares, apontamos que embora os artigos deem ênfase a uma escrita de si, em primeira pessoa, chamando atenção para categorias como self, identidade e reflexão, o uso excessivo da narrativa autobiográfica ou biográfica, pode tornar o empreendimento etnográfico etno, da autoetnografia, menor ou menos importante. Esse fato revela que nesses estudos o uso do termo etnografia foi associado às pesquisas etnográficas apenas para validar as narrativas de si mesmos. </span></p> </div> </div> </div> 2024-06-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2024 https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/23741 Pesquisando a violência íntima contra a mulher a partir da etnografia feminista 2024-06-09T16:48:41-03:00 Nishi Mitra vom Berg clgmattos@gmail.com <p>Pesquisar a violência íntima usando a epistemologia e a ontologia feministas é um empreendimento difícil e contencioso tanto para a pesquisadora quanto para os participantes na investigação etnográfica. O tema da violência íntima não é apenas emocional e traumático é repleto de tensões fundamentais para o entendimento sociológico dominante de teoria, método e metodologia. Este artigo tenta explicar as compreensões feministas de ontologia, epistemologia e ética e tornar clara a natureza dessas tensões, na escrita e práxis feministas para além das tradições convencionais da pesquisa científica ocidental. Elabora-se, por meio de ilustrações derivadas de pesquisas sobre violência íntima com mulheres, como pesquisar o tema da violência é um exercício desafiador e gratificante quando se baseia nas experiências vividas e nas compreensões de mulheres com as quais a pesquisadora se identifica. Os resultados são transformadores para a pesquisadora e participantes e contribui para a práxis dos direitos humanos.</p> 2024-06-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2024 Cadernos de Pesquisa https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/23763 A pesquisa participante em etnografia 2024-06-10T17:37:38-03:00 Sandra Cordeiro de Melo clgmattos@gmail.com <p>Este artigo visa compreender as interações estabelecidas pelos alunos nas salas de aula. Tem como base uma pesquisa participante em uma Escola de Governo que, em linhas gerais, se configura como uma instituição da estrutura governamental, que forma servidores públicos graduados, para o aperfeiçoamento de suas atividades no agenciamento do Estado. Busca responder às seguintes questões: Como a dinâmica da aula pode ser modificada, à medida que alunos e professores interagem? e quais as estratégias interacionais utilizadas pelos participantes e em que medida as intenções que movem essas interações são consideradas? Foi realizada uma pesquisa etnográfica, com base na microssociologia de Erving Goffman e na microanálise dos vídeos das aulas. A análise gerou categorias como: participação, estratégia de interação e barreiras à aprendizagem. Os resultados apontam para a necessidade de revelar a importância dos movimentos interativos motivados pelo aluno e seu papel de sujeito do próprio processo de aprendizagem.</p> 2024-06-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2024 https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/23751 Etnografias em locais perigosos 2024-06-12T08:16:09-03:00 Antônia Valbenia Aurélio Rosa Aurélio Rosa clgmattos@gmail.com Rafael dos Santos clgmattos@gmail.com Thiago Luiz Alves dos Santos thiagotlas@fab.mil.br <p>Este artigo discute as possibilidades e desafios em fazer etnografia em locais perigosos, empobrecidos e dominados pela violência. Estuda situações de disputas e reconfigurações das favelas que passaram seu controle do crime organizado para as milícias. Trata-se da combinação de uma revisão de literatura de estudos etnográficos e do estudo de caso em uma escola na favela Rio das Pedras, no Rio de Janeiro, território dominado pela Milícia. O artigo foca na realização de etnografias em locais perigosos. Um dos objetivos da pesquisa de base foi investigar, analisar descrever relação entre pobreza, educação e a mobilidade migratória do Nordeste para o Sudeste do Brasil. Como resultado conclui-se que, fazer etnografia em locais perigosos envolve complexidades que pode forçar enfrentar múltiplos constrangimentos, restrições e até abandono do campo de pesquisa. Consequentemente, isso leva ao empobrecimento e comprometimento dos dados coletados.</p> 2024-06-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2024 Cadernos de Pesquisa https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/23694 Arte-etnografia e o teatro do oprimido 2024-06-06T18:51:43-03:00 Igor Federici Trombini clgmattos@gmail.com Alessio Surian clgmattos@gmail.com <p>O artigo foca as práticas do Teatro do Oprimido (TO) na luta pela transformação do contexto local e das relações de poder nas comunidades do Rio de Janeiro através da etnografia de um trajeto junto ao grupo MareMoTO. No específico, a etnografia procura compreender como se dão as relações dialógicas nos trabalhos de Paulo Freire e nas produções de conhecimentos dentro de um Grupo de TO, assim busca explorar a potência da metodologia no aprofundamento de articulações entre espaços educacionais formais e não formais, que superem a exclusão simbólica e a injustiça cognitiva ao proporem outras formas de se produzir conhecimento, que partam de narrativas polifônicas. Para tal, aprofundamos os entrecruzamentos de três conceitos característicos da etnografia e da metodologia pedagógico-político-teatral de Augusto Boal de forma a investigar como se dão as relações entre elas, e que possibilitam uma outra compreensão do real e de formas de transformá-lo. Partindo dos ensaios, apresentações e oficinas do MareMoTO, compreende-se características que integram o TO, tais como: a transformação do espectador passivo em protagonista ativo, a modificação da realidade através de linguagens invisibilizadas, a ampliação do diálogo sinestésico, a descentralização da voz que produz conhecimento e o alargamento da produção estética como indissociavelmente produtora de conhecimento.</p> 2024-06-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2024 Cadernos de Pesquisa https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/23847 Pesquisando a rede, na rede e com a rede 2024-06-25T04:52:00-03:00 Walcéa Barreto Alves walceaalves@id.uff.br Cleonice Puggian cleopuggian@gmail.com Juliana Rebelo Ferreira julianareb@gmail.com <p>O mundo mudou, os mapas se redesenharam nas fronteiras das relações interativas, os antigos grupos étnicos ressurgiram e as novas culturas apareceram no cenário digital. Uma rápida olhada na Internet mostra como a cultura humana, já complexa,&nbsp; se tornou&nbsp; ainda mais diversa. Este artigo propõe um passeio pelas mudanças ocorridas na última década nas interrelações sociais com a utilização maciça de Internet. Neste cenário, novas configurações de grupamentos humanos se viabilizaram por essas interações, em especial mediadas pela inteligência artificial (AI). Estas mudanças impactam diretamente a forma de fazer etnografia, visto que o sujeito etnográfico, sua cultura e formas interativas são o alvo principal deste tipo de&nbsp; investigação. Comunidades online, educação remota, hibridismo no ensino-aprendizagem, são algumas das discussões que se pretende delinear. O texto se desenvolve a partir de uma pesquisa bibliográfica que tem como objeto o conceito de netnografia, sua aplicação e implicações para a pedagogia na era digital. Os resultados desta revisão demonstram que os termos: netnografia, etnografia virtual, webnografia, etnografia digital, etnografia em mídias sociais ou etnografia on-line são alguns exemplos dessa variedade de abordagens. Pretende-se ainda demonstrar como o uso da etnografia digital se expande para vários campos do conhecimento. Como problemática principal se discute a questão ética que permeia as relações humanas e o fazer etnográfico. Neste sentido, é importante considerar cuidadosamente as preocupações de segurança com relação à privacidade individual e social, bem como prevenir a desinformação no âmbito digital.</p> 2024-06-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2024 https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/23692 Experiências etnográficas 2024-06-06T18:28:55-03:00 Vera Anselmi Melis Paolillo veramelis@uol.com.br <p>Durante o 19º "Fórum Anual de Pesquisa em Etnografia em Educação" (1998), o professor Frederick Erickson, destacado estudioso da etnografia em educação, foi entrevistado por uma equipe de pesquisadores liderada pela professora Carmen Lúcia Guimarães de Mattos e a autora deste texto.&nbsp;O evento aconteceu na Universidade da Pensilvânia e foi gravado pela ex-aluna de graduação, hoje professora da UERJ, professora Cleonice Puggian. A entrevista, datada de 25 anos, serve como exemplo da pesquisa etnográfica e suas distinções de outros métodos qualitativos de pesquisa. Este tema é sempre apreciado por aqueles que são conhecedores do campo da etnografia. Erickson discute como os etnógrafos experimentam várias maneiras pelas quais as pessoas descrevem as experiências humanas, valendo-se de linguagem simples e conhecimento sociológico para explorar a transição da aplicação prática para o conhecimento acadêmico na pesquisa. Espera-se que a leitura desta entrevista esclareça muitas incertezas em torno do "ser e fazer etnográfico".</p> 2024-06-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2024 Cadernos de Pesquisa https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/23921 Apresentação - Dossiê Ensinar e Aprender na Universidade 2024-06-30T19:24:22-03:00 Renata Marcílio Cândido renata.candido@unifesp.com Patrícia Aparecida do Amparo patrícia.amparo@usp.br Cesar Augusto Castro cesar.castro@ufma.br <p>Em Meditações Pascalianas, Pierre Bourdieu (2001) se propõe a colocar em exame a razão e a prática escolástica, marcas da atividade filosófica. Ao fazer isso, o autor oferece interpretações desconcertantes acerca do homo academicus e, claro, do próprio campo acadêmico. Ao fazer isso, o intelectual francês salienta que uma das características dos filósofos reside na doxa epistêmica, ou seja, em um “[...] conjunto de crenças fundamentais que nem sequer precisam se afirmar sob a forma de um dogma explícito e consciente de si mesmo” (Bourdieu, 2001, p. 25). Compreender, portanto, o que caracteriza a atividade acadêmica requer explicitar tais elementos, frequentemente, distantes da consciência dos sujeitos. O dossiê Ensinar e aprender na universidade, embora com pretensões muito mais modestas do que a de Pierre Bourdieu, se propõe a explorar dimensões do espaço acadêmico, especialmente, no que se refere às possibilidades e/ou especificidades das formas de se entender e praticar a vida universitária. Poderíamos pensar que, de certa forma, os trabalhos ora apresentados buscam suspender um pouco do funcionamento impensado do cotidiano universitário para que se consiga enxergar um pouco mais de suas características, sobretudo, no que respeita às instituições universitárias de formação docente.</p> 2024-06-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2024 https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/23823 Exercícios pedagógicos na Universidade em dois tempos: 2024-06-20T13:10:02-03:00 Denice Barbara Catani dbcat@usp.br Patrícia Aparecida do Amparo ptr.amparo@gmail.com <p>Este artigo tem como objetivo construir algumas aproximações entre literatura e formação a partir das sugestões oferecidas pela ideia de espaços de educação elaborada por Carlos Reis, professor da Universidade de Coimbra. Considerando os efeitos construtivos do espaço literário nas representações a respeito do espaço escolar e, assim, as variadas refrações do primeiro na formação de professores, discutem-se duas hipóteses que já orientaram formas de ensino em cursos de Pedagogia e Licenciatura, as quais tomaram a literatura como fator estruturante. No primeiro caso, trata-se da proposição da leitura de “A língua Absolvida”, de Elias Canetti, e posterior elaboração de ensaios nos quais os estudantes tematizavam dimensões variadas de processos formativos. No segundo caso, apresenta-se a invenção de práticas de ensino a partir da leitura de obras ficcionais. Colocados em ação em períodos distintos, o primeiro entre a segunda metade da década de 1980 e os anos 2000 e o segundo em 2021, tais exercícios pedagógicos indicam a pertinência das aproximações entre obras de ficção, memorialísticas e/ou autobiográficas e a educação, possibilitando a criação de vínculos entre traços das biografias dos sujeitos envolvidos, suas trajetórias formativas e categorias pessoais de percepção e de apreciação da realidade. O compartilhamento de sentidos atribuídos à sala de aula, aos alunos, à docência, entre outros, mostraram-se fecundos para a iniciação docente nas questões de ensino. Além disso, os exercícios tomaram o ensino como atividade criativa que instaura provisoriamente espaços pedagógicos.</p> 2024-06-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2024 https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/23820 O artesanal e o instrumental na Universidade de São Paulo: 2024-06-19T18:12:11-03:00 Katiene Nogueira da Silva katiene@usp.br Roni Cleber Dias de Menezes roni@usp.br <p>Com o objetivo de refletir acerca das experiências de ensino e de aprendizagem na Universidade de São Paulo (USP), o presente artigo almeja uma incursão dupla: num primeiro momento, por intermédio do perscrutamento dos seus primeiros anos de funcionamento, busca lançar um olhar para os saberes produzidos e as práticas e representações sobre o ensino na recém-criada universidade, explorando as tensões entre as intencionalidades presentes no projeto da nova instituição universitária e as respostas oferecidas por uma parte de seus sujeitos; secundando esse investimento, e com a lente de observação ajustada para uma das unidades de ensino da USP, a Faculdade de Educação, já numa fase posterior - anos 2010 -, pretende-se tecer reflexões a respeito do comparecimento, nas disciplinas de história da educação ministradas no curso de Pedagogia, de dois manuais de ensino de história da educação: História da educação na antiguidade (<em>Histoire de l’éducation dans l’Antiquité</em>. Paris: Éditions du Seuil, 1948), de Henri Marrou; e<em> História da educação e da pedagogia</em><a href="#_ftn1" name="_ftnref1"><sup>[1]</sup></a> (<em>Historia de la educación y de la pedagogía</em>. Buenos Aires: Editorial Losada, 1951) de Lorenzo Luzuriaga, num contexto em que tal área de estudos no Brasil - a história da educação - se debruça acerca da convocação no ensino de seus conteúdos de compêndios escolares dessa natureza.</p> <p>&nbsp;</p> <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1"><sup>[1]</sup></a> <em>Historia de la educación y de la pedagogía</em>. Buenos Aires: Editorial Losada, 1951.</p> 2024-06-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2024 https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/23816 Configurações históricas e atuais da profissão docente 2024-06-18T20:51:42-03:00 Renata Marcílio Cândido remarcilio@gmail.com Juliana de Souza Silva juped@usp.br <p>O que se aprende quando se ensina? A resposta quase automática é “o conteúdo autorizado ao professor ensinar”. Tal resposta merece nossa reflexão. Realmente, quando pensamos na organização dos cursos para formação de futuros professores no Brasil, o curso de Pedagogia e as Licenciaturas, em muitos casos, as formações se limitam aos conteúdos e às metodologias associadas a estes. Entretanto, sabe-se que tal fórmula não abarca a complexidade da relação pedagógica. É preciso questionar sobre como os professores em exercício e em formação mobilizam seus saberes para constituírem suas práticas. Para tratar da questão o texto articula duas linhas: a primeira que faz uma rápida incursão pela história das instituições de formação de professores e a segunda que pretende, a partir dos depoimentos de professores de diferentes áreas, refletir sobre os modos como a docência na universidade é vivida por aqueles que têm como uma de suas obrigações desenvolvê-la.</p> 2024-06-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2024 https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/23922 Ensinar e aprender na universidade 2024-06-30T20:08:35-03:00 César Augusto Castro cesar.castro@ufma.br <p>Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Nullam ligula ex, rutrum ac lacinia id, tincidunt sed magna. Curabitur commodo urna nibh, mollis scelerisque turpis blandit sed. Nulla sollicitudin, eros quis mollis sodales, arcu ex pretium neque, vitae convallis orci lorem quis ex. Nam ultricies velit nec turpis imperdiet, eget ullamcorper justo interdum. Nulla commodo turpis ligula, et auctor ipsum vestibulum eget. Quisque quis mauris sit amet ante gravida condimentum sit amet vitae nulla. Praesent egestas pharetra congue. Sed accumsan cursus purus mollis cursus. Duis at rhoncus elit. Proin at tortor quis dui fringilla auctor eu eget felis. Nunc facilisis tortor eros, vitae volutpat nulla tempor ut. Proin risus lorem, vehicula nec suscipit a, cursus nec sem. Ut sagittis et odio in suscipit. Pellentesque lacus elit, auctor quis lobortis a, lacinia vitae justo.</p> 2024-06-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2024 https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/23828 Experiências e sentidos da aula na universidade: 2024-06-20T19:13:23-03:00 Ana Laura Godinho Lima alglima@usp.br Vivian Batista da Silva vivianbatista@usp.br <p>Este artigo integra uma série de reflexões sobre o ensinar e o aprender na universidade. A questão fundamental que o orienta poderia ser formulada da seguinte maneira: quais condições uma aula deve reunir para favorecer as <em>experiências culturais</em> e para que professores e estudantes sintam que a vida universitária vale a pena? Caminhando por referências da psicanálise, da filosofia da educação e da história da educação, as discussões sobre essa pergunta conduzem inicialmente à <em>experiência</em>, entendida com base nos escritos de Donald Winnicott e Jorge Larrosa. O primeiro autor assinala a <em>experiência cultural</em> como um dos elementos do desenvolvimento humano e o segundo autor articula o <em>saber da experiência</em> à aula e ao magistério. Nesse sentido, é possível entender a universidade como uma espécie de refúgio, marcado por um tempo, espaço e modos de estudo próprios. O presente artigo considera ainda práticas escolares historicamente institucionalizadas, particularmente as referentes às chamadas <em>sebentas</em>. Que tipo de <em>experiências </em>esses apontamentos, feitos pelos alunos da Universidade de Coimbra já no século XVIII para registrar as explicações de seus professores, produziram? A quais tradições eles podem nos remeter hoje? As belas descrições feitas em 1945 por Fernando de Azevedo acerca dessas práticas conduzem a pensar sobre o que Inés Dussel e Marcelo Caruso denominam de “invenção da sala de aula” e permitem, assim, refletir sobre <em>experiências </em>que, em diferentes momentos, direcionam e dão sentido à vida universitária.</p> 2024-06-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2024 https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/23831 Políticas chinesas de compreensão internacional e internacionalização do ensino superior (IES): 2024-06-21T10:06:21-03:00 Meijuan Lu vmeijuan9011@gmail.com Jing Zhao xiaozhao3@hotmail.com André D. Robert andre.robert@univ-lyon2.fr <p>As questões levantadas por nosso artigo são as seguintes: como uma universidade chinesa se encaixa nas políticas nacionais e regionais de internacionalização do ensino superior e mobilidade estudantil? Como ela está agora em posição de afirmar suas características específicas e, se necessário, demonstrar sua autonomia? Atualmente, a política de Internacionalização do Ensino Superior da China e seu incentivo à mobilidade internacional de estudantes fazem parte de uma política educacional geral que tem cinco componentes: o desejo de manter a soberania educacional da China, reduzir as desigualdades entre as regiões, dar preferência às ciências "duras", buscar um melhor equilíbrio entre o envio de estudantes para o exterior e o recebimento de estudantes estrangeiros e manter um forte compromisso com as sociedades ocidentais. Essa política internacional tem uma longa história, e o artigo começa analisando o nível macro (governo central) a partir da década de 1980 (a "nova era"). As próprias regiões estão desenvolvendo políticas específicas voltadas para a internacionalização, especialmente oferecendo condições favoráveis para estudantes estrangeiros e para chineses que retornam do exterior após a obtenção de um diploma. As próprias regiões estão desenvolvendo políticas específicas voltadas para a internacionalização, especialmente oferecendo condições favoráveis de recepção para estudantes estrangeiros e boas condições de reintegração para chineses que retornam do exterior após a obtenção de um diploma. Apresentamos (em nível meso) o exemplo da região de Yunnan (sudeste da China). A terceira parte do artigo é dedicada à investigação da internacionalização do ensino superior e da política de mobilidade estudantil no nível de uma universidade em particular: a Universidade de Yunnan (nível micro). O principal método utilizado é uma síntese de textos chineses não conhecidos fora do país e a análise de conteúdo de documentos e sites oficiais de políticas em três níveis: governo central, uma região e uma universidade.</p> 2024-06-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2024 https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/23834 Desafios e táticas de mulheres para tornarem-se estudantes de pedagogia 2024-06-21T21:11:15-03:00 Rosemeire Reis reisroseufal@gmail.com Jeane Felix jeane.silva@cedu.ufal.br <p>Este artigo tem como objetivo estudar e levantar questões sobre os desafios de afiliação das mulheres universitárias em uma universidade pública federal localizada no nordeste brasileiro, especialmente no primeiro ano do curso de Pedagogia. Trata-se de um recorte de uma pesquisa qualitativa, conforme Christine Delory-Momberger, com as descrições e análises das narrativas de duas mulheres estudantes do curso, tendo como procedimento a entrevista de pesquisa biográfica. Nas análises são mobilizadas as noções de afiliação, conforme Alain Coulon; táticas, de acordo com Certeau e relação com o saber, segundo Bernard Charlot. Identificam-se como resultados: as mulheres universitárias de modo diferenciado, com seus repertórios, suas redes de apoio e condições ou não de envolvimento com oportunidades oferecidas no curso necessitam enfrentar os desafios para se tornarem estudantes universitárias que, não sendo interrompida, produz os sentidos de sua formação que, como apontam as duas participantes da pesquisa, são fundamentais para a ampliação de seus modos de se relacionar com mundo, com os outros e com si mesmas. Desse modo, apostamos na importância de políticas educativas nas universidades que transversalizem as questões de gênero e permitam às estudantes vivenciarem experiências, no sentido empregado aqui, para, assim, desenvolverem o seu processo de afiliação em uma formação que lhes permita, além de tudo, refletir sobre (e modificar) o seu lugar no mundo.</p> <p>&nbsp;</p> <p>&nbsp;</p> 2024-06-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2024 https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/23814 A docência na era da reprodutividade técnica: 2024-06-18T19:17:42-03:00 Arlindo Lourenço arlindolourenco@alumni.usp.br Fernando Zanetti fernando.zanetti@uemg.br <p>Este texto trata da relação entre a docência e as dificuldades cada vez mais acentuadas de conceituação do que seja a formação humana, num mundo marcado pelo amplo e globalizante desenvolvimento da economia, da técnica e das tecnologias, que, longe de proporcionarem, na mesma escala, desenvolvimento social, aprofundam as distâncias entre possuidores e despossuídos. Além disso, indicam uma ruptura que vem sendo sentida por teóricos críticos da sociedade de diferentes matizes epistemológicas, desde os anos de 1950, entre uma cultura humanística e calcada no bem comum e outra, mais instrumental e de massas, orientada para uma existência de viés hedonista, imediatista e submetida voluntariamente aos desejos do mercado, do Capital, do consumo e da diversão em si. A regressão e o ocaso do pensamento e, em particular, daquele que se critica naquilo que este tem de não verdadeiro, bem como a barbárie que é própria desses momentos da vida cultural, são discutidos a partir de autores como Walter Benjamin, Hannah Arendt e Michel Foucault, que ousaram abordar o que se convenciona considerar dado de verdade da história como derradeira. Defende-se que a formação humana se enfraqueceu e que a própria humanidade vem carecendo de outro modelo formativo, justamente aquele que toma a experiência da crítica como a única capaz de superar a grave crise ético-política e ambiental que o planeta enfrenta; talvez, a primeira que, de fato, leve a humanidade à extinção em razão de si própria e de sua ação sobre o mundo.</p> 2024-06-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2024